Arquivo do mês: março 2009

Memórias da Gringolândia (parte 1)

Como alguns de vocês, nossos 12 leitores, sabem, entre os dias 21 de fevereiro e 14 de março estive nos Estados Unidos da América, naquela que foi a maior viagem internacional da minha vida (espero que futuramente aconteçam outras!). Nesse período, fiquei a maior parte do tempo em Nova York, mas também fiz algumas rápidas visitas a Boston, Philadelphia e Washington DC. Após intensa pressão de meus colegas editores do blog, finalmente iniciarei uma série de posts com algumas impressões e relatos dessa experiência, que, adianto desde já, valeu muito a pena. Não vou ter grandes preocupações cronológicas, pois a idéia é simplesmente ir escrevendo sobre coisas que achei interessantes (para o bem e para o mal) conforme elas vierem à cabeça.

Capítulo 1: Arenas esportivas

Nesta viagem consegui realizar um dos meus maiores sonhos de adolescência: assistir a um jogo da liga de basquete norte-americana, a famosa NBA. No fim das contas, acabei tendo tanta sorte que, além de New York Knicks x Orlando Magic, cujo ingresso eu tinha comprado pela internet aqui mesmo no Brasil, consegui ver o atual campeão Boston Celtics enfrentando o Indiana Pacers em seus domínios, pois o hostel (albergue) no qual fiquei por lá de alguma forma vendia tickets para este jogo. Para tornar as coisas ainda melhores, por apenas 12 dólares!

Todavia, meu objetivo neste post nem é falar dos jogos em si, mas sim dos locais onde eles aconteceram: o mítico Madison Square Garden, em NY, e o TD Banknorth Garden, em Boston. Quando comparamos estes espaços com os estádios e ginásios que temos em nosso país, a diferença é brutal.

O mítico Madison Square Garden, construído em cima da Penn Station

O mítico Madison Square Garden, construído em cima da Penn Station

Para começar, o acesso: ambos estão localizados EM CIMA de estações de metrô, de tal forma que o acesso a esta modalidade de transporte público é uma barbada. Além disso, táxis e ônibus não têm muitas dificuldades de chegar nos arredores. Se, ainda assim, o sujeito preferir ir com seu carro próprio, obviamente há estacionamentos disponíveis, mas eles não são nada baratos: pelo que lembro, na faixa de 20 dólares a noite em Boston e 30 em NY.

Vale lembrar que há diversas formas de se comprar ingressos: por telefone, internet, na bilheteria do próprio ginásio… Nada que já não esteja ocorrendo em estádios e clubes mais organizados no Brasil, como é o caso do Beira-Rio, em Porto Alegre. Contudo, a entrada no local é incomparavelmente fácil e rápida: após uma rápida revista/inspeção de segurança, é uma barbada dirigir-se a um dos trocentos portões de acesso, que, bastando seguir as indicações, certamente deixarão você próximo do assento assinalado em seu bilhete. Locais marcados? Sim, lá isso funciona, e muito bem! Tanto que, num jogo agendado para as 19:30, como é o caso da maioria na NBA, chegando às 19:00 a gente encontra o ginásio praticamente vazio. Quase todo mundo chega em cima da hora, alguns até mesmo após o início da partida, sabendo que seu assento estará disponível. Há, inclusive, pessoas que sentam há décadas no mesmo local, adquirindo “season tickets” ano após ano e acompanhando os altos e baixos da equipe. Os preços, em NY, variam de 10 a mais de 3000 dólares, mas o fato é que, mesmo nos assentos mais baratos é possível enxergar bem o que está acontecendo na quadra, obviamente havendo alguma diferença nos níveis de “imersão” na partida. Em Boston fiquei num dos locais mais baratos, atrás de uma das tabelas, e nem por isso deixei de aproveitar a partida, vendo com clareza todas as (belas) jogadas. Se, ainda assim, o espectador perde algum lance, basta olhar para o telão, em altíssima definição, que está constantemente mostrando replays dos principais lances, além de transmitir a partida propriamente dita.

Placar eletrônico e telão com altíssima definição de imagem

Placar eletrônico e telão com altíssima definição de imagem

Este mesmo telão, por sinal, é fundamental para outro aspecto importante do evento: a interação com a platéia. Além de promoções e sorteios em praticamente todos os intervalos (que são vários, num jogo de basquete, onde há diversos pedidos de tempo por parte dos treinadores), há vídeos motivando a torcida a cantar, berrar e fazer mais barulho em momentos importantes e decisivos da partida. Juntando as imagens com o som ambiente e suas músicas empolgantes, o negócio realmente funciona! Enfim, por mais clichê que seja dizer isso, não é mesmo apenas um jogo de basquete, mas verdadeiramente um espetáculo de entretenimento.

Bobo alegre antes de jogo dos Celtics

Bobo alegre antes de jogo dos Celtics

Não posso deixar de ressaltar algumas coisas que chamam muito a atenção de um brasileiro infelizmente acostumado com o medo e a violência em estádios de futebol: há alguns poucos torcedores do time adversário, mas nenhuma manifestação de animosidade para com eles, muito menos necessidade de separação entre as torcidas; mulheres e crianças em grande número na platéia; com vitória ou derrota, a saída do ginásio é tranquilíssima, sendo muito fácil voltar para casa usando o transporte coletivo, sem “arrastões” ou correrias.

Por fim, cabe lembrar que, efetivamente, os locais são bem mais do que ginásios, pois, além de jogos de basquete, hockey e futebol americano indoor (!), são palcos de shows e, até mesmo, grandes convenções partidárias. Ou seja, se enquadram perfeitamente no conceito de “arenas multiuso” tão em voga atualmente no Brasil.

Abraços,
Marcio Santos

Deixe um comentário

Arquivado em Esportes, Memórias da Gringolândia, Reflexões, Viagens

Pela descriminalização da maconha

Volta e meia sempre entro em um debate complicado e cravo uma opinião bastante controvérsia. Sou totalmente a favor da descriminalização da maconha. Não fumo, não gosto e também sou bastante avesso a fumaça. Portanto, este posicionamento nada tem a ver com interesse pessoal. Para balizar o entendimento de que legalizar a droga é algo positivo, tenho quatro argumentos básicos.

Vamos a eles:

1 – Impostos
Hoje, todas as nossas compras têm, em seus preços, alto percentual de impostos embutidos. A tributação chega a ser absurda. Toda vez aumentando mais. Logo, nada mais justos, de que os “maninhos” que fumam a “droga” também paguem impostos.

2 – Saúde pública
Atualmente, os traficantes e “produtores” misturam muitas coisas na “maconha”. Para aumentar o volume, eles colocam pasto sujo, mijo de rato e qualquer outra coisa que, claro, só fazem o produto piorar. No final das contas, a maconha de má qualidade chegará ao nosso bolso, afinal a maior parte das pessoas que consomem vão precisar da saúde pública. Logo, se evita esse problema.

Um baseado

Um baseado

3 – Tráfico
Maconha liberada significa que estabelecimentos vão vender o produto. Isso é um duro golpe na parte do crime organizado que aumenta os seus recursos vendendo essa droga. Eles, certamente, terão que parar de vender a maconha.

4 – Consumo
Na Holanda, país que descriminalizou parte do uso da maconha, não se registra qualquer caos social por isso. Outro fator que, não é por causa da venda liberada no armazém da esquina, que eu vou passar a consumir. O que irá acontecer é mais gente fumando sem se esconder, mas certamente serão os mesmos que já fumam hoje.

Abraços,
Daniel Machado

Deixe um comentário

Arquivado em Geral, Reflexões

No desespero, Racing vence

Neste domingo, o Racing Club de Avellaneda recebeu o Godoy Cruz no Cilindro de Avellaneda e venceu por 1 x 0 (veja o gol aqui). O placar, magro e sofrido, é só mais uma mostra do desespero do clube que há muitos anos é vítima de uma crise econômica e institucional.

Com a quarta maior torcida da Argentina, o Racing, com certeza, tem uma das torcidas mais fanáticas do mundo. O clube, de poucas glórias e muitos resultados negativos, já chegou a ficar 35 anos sem conquistar um Campeonato Argentino – e isso que há alguns anos a Argentina faz dois campeonatos por ano.

Último colocado no atual campeonato, o Racing está em situação delicadíssima na tabela de promedios (uma espécie de média dos últimos campeonatos) que determina o rebaixamento. Quando entrou em campo ontem, o grande Racing, que já foi campeão do mundo, precisava da vitória para sair da zona de rebaixamento à Série B direto. Na Argentina, os últimos dois colocados nessa tabela vão para a segunda Divisão, enquanto os dois logo acima disputam a Promócion  (uma repescagem em melhor de dois jogos contra times oriundos da Série B).

No ano passado, o Racing disputou essa repescagem e, com muito sofrimento, permaneceu na Primeira Divisão.

Torcida
Em 2001, quando foi campeão, lotou dois estádios no mesmo dia – na casa do Vélez para ver o jogo e o seu próprio, que tinha um telão. No ano passado, mesmo tendo terminado o torneio em último, o Racing foi o terceiro time que mais vendeu ingressos. O Racing também é o terceiro clube da Argentina que mais recebeu torcedores desde a criação do campeonato.

E, em uma mega enquête realizada pelo um dos maiores jornais da Argentina, a torcida do Racing foi apontada como a segunda mais fiel do país, ficando atrás da do Boca Juniors, que tem quase dez vezes mais torcedores que o Racing (algo como 2,2 milhões contra 20 milhões).

Em 1999, o Racing chegou a fechar, mas uma mobilização dos seus torcedores trouxe o clube de volta a ativa.

A conquista do campeonato de 2001 foi algo surreal e heróico. Os estádios cheios a cada rodada e uma luta incessante contra um tabu monstruoso.

Para fiocar claro, na Argentina torço para o Racing. Poerém, como foi possível perceber, essa escolha não tem relação com os bons resultados.

Abraços,
Daniel Machado

1 comentário

Arquivado em Futebol, Geral

Ano do Bayern?

O Bayern de Munique aplicou, ontem, jogando em casa, sonoros 7 x 1 no Sporting de Portugal pela segunda fase da Liga dos Campeões da Europa. O placar agregado foi de incrivél 12 x 1, pois em Lisboa o Bayern já tinha massacrado seu adversário com uma vitória de 5 x 0.

 Com o time qualificado que tem, embora não tão badalado quanto Inter de Milão, Manchester, Barcelona, Liverpool e Chelsea, o Bayern possui uma base muito sólida.

Defesa forte, meio campo brigador e criativo e dois centroavantes especialistas na bola aérea – Miroslav Klose e Luca Toni. Os dois, também, são bastante eficientes com os pés.

sem-titulo

Os times alemães não são tão respeitados quanto os espanhóis, ingleses e italianos. Porém, o Bayern é um gigante do futebol europeu. O meio campo dos bávaros joga com praticamente quatro atletas que marcam e atacam. Talvez Frank Ribéry, craque do time é um dos jogadores mais desejados da Europa hoje, tenha menos responsabilidade defensiva, embora sua velocidade e criatividade com a bola compensem essa falta de marcação.

Os outros três jogadores são o holandês Mark van Bommel, o brasileiro Zé Roberto e o jogador da casa (alemão) Bastian Schweinsteiger. Martín Demichelis, que também atua como zagueiro, pode entrar nesse meio campo. Isso, sem contar o qualificado Tim Borowski.

Na defesa, o Bayern tem bons zagueiros. Lúcio, ex-Internacional, é o comandante, com o respaldo do gigante belga Daniel van Buyten.

No elenco, pode-se destacar, ainda (embora alguns possam estar lesionados), jogadores como o italiano Massimo Oddo, o brasileiro Breno, o alemão Andreas Ottl, o turco Hamit Altintop, o argentino José Ernesto Sosa, o alemão Lukas Podolski, e o jogador dos Estados Unidos Landon Donovan.

O técnico, que, confesso, tenho muitas ressalvas em relação ao seu trabalho, é Jürgen Klinsmann, que quando foi jogador era um excelente atacante.

Abraços,
Daniel Machado

1 comentário

Arquivado em Futebol

Mais sacanagem no Senado!

Todos os dias os nomes aparecem.

Todos os dias uma nova sacanagem.

O Brasil é um país absurdo. Muita impunidade As coisas aparecem todos os dias e os nomes estão aí. A corrupção faz parte do sistema. O filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, sucesso de público e crítica confirma o que estou dizendo.

Reportagem da Folha de S. Paulo de hoje mostra que o Senado pagou pelo menos R$ 6,2 milhões em horas extras para funcionários que teriam prestado serviço em janeiro – mês em que a Casa estava em recesso e quando não houve sessões, reuniões e nenhuma atividade parlamentar.

Desta vez, a explicação oficial é um completo absurdo. Coisa que, se a gente não levasse em conta que é com o nosso dinheiro, poderíamos rir por quase toda a vida.

O Senado justificou que 3.883 servidores trabalharam além do expediente normal em janeiro para preparar uma única sessão, que ocorreu no dia 2 de fevereiro.

O Senado tem 6.570 servidores entre comissionados e efetivos.

Desta forma, o Senado sustenta que foram necessários os trabalhos, extras, de 3.883 servidores para preparar uma sessão.

Os responsáveis
O ex-secretário da Mesa Diretora senador Efraim Morais (DEM-PB) foi quem assinou a autorização do pagamento. Agacial Maia, até então diretor-geral do Senado, emitiu os documentos para confirmarem os pagamentos.

Abraços,
Daniel Machado

Deixe um comentário

Arquivado em Geral, Mídia, Politica

Libertadores: Palmeiras não vai passar da primeira fase

Estava debatendo futebol com o Anderson outro dia. E aí cravei: “O Palmeiras já está eliminado da Libertadores”. A derrota para o Colo Colo em São Paulo na semana passada foi decisiva.

O time verde levou um banho de bola do matador Lucas Barrios (o jogador certamente estará na Europa em breve). Mesmo quando ficou com a menos, o Colo Colo continuou criando oportunidades. O placar de 3 x 1 no Parque Antártica foi muito justo para o campeão chileno.

O estranho que o Colo Colo, na estreia na competição, perdeu em casa, para o Sport Recife. Resultado que não deixa de surpreender. Hoje, a tabela aponta o Sport com seis pontos, a LDU do Equador (atual campeã da América) e o Colo Colo com três e o Palmeiras com zero. Para se classificar, o badalado time de Vanderlei Luxembergo precisa vencer os dois compromissos restantes em casa (contra LDU e Sport), algo possível e até provável, e vencer pelo menos um dos confrontos fora (contra Colo Colo ou Sport).

Pode ser necessário, ainda, que além de vencer o jogo fora de casa, o Palmeiras precise de um empate no outra partida. Sinceramente, acredito que o Palmeiras será derrotado já no próximo jogo, contra o Sport em Recife. A cova está feita.

Depois da grande vitória, o Colo Colo vai brigar pela vaga até o último jogo. O Sport está jogando muito bem e LDU não será eliminada com facilidade.

Os verdes estão fora.

Abraços,
Daniel Machado

1 comentário

Arquivado em Futebol, Geral

Jarbas tem razão!

No seu discurso na quarta-feira ( esse do post aí abaixo), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse não precisar citar nomes, pois estes aparecem todos os dias. A afirmação é uma verdade completa.

No dia seguinte, o Senado assistiu dois atos que comprovam o quão ruim é a política do Brasil. Comprovam em que situação está este país e o porque das pessoas sequer se indignar mais. Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado, recebeu um ato de desagravo dos funcionários da Casa.

Agaciel, que teve seu nome envolvido no escândalo da gráfica do Senado em 1993, agora é  acusado de sonegação e outras coisas. Foi descoberto que ele “escondeu” uma casa de R$ 5 milhões. Uma história muito complicada, a casa estava no nome do irmão, um deputado federal, que sequer declarou o bem no seu registro de candidatura.

Bom, mesmo com esse histórico, o ato de respaldo a Agaciel foi grande. Muitos funcionários mostraram o apoio.

Depois, o senador Fernando Collor (PTB-AL)  (esse mesmo que você está pensando), com o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), se elegeu presidente da Comissão de Infraestrutura, umas das mais importantes do Senado. Collor é um ex-presidente da República que sofreu impeachment e Renan é aquele que quase perdeu o mandato por pagar despesas particulares com ajuda de lobista beneficiado por obras públicas negociadas por ele. Bom, os nomes estão aí. Eles vêm todos os dias.

Abraços,
Daniel Machado

Deixe um comentário

Arquivado em Geral, Politica