Inter, a minha vida

O Internacional é a minha vida e, graças ao clube, sou o que sou hoje. Pode parecer exagero, mas tenho a convicção de que não é.  Para contar essa história, tenho que retornar ao tempo de criança. Pouca alegria e muitos problemas. Naquela época, acompanhar os tristes anos 90 do time servia como um dos escapes para ter uma vida melhor. A grande maioria dos jogos eu ouvia no rádio.

Desse tempo, nasceu a minha vontade de virar narrador. Aquela voz de Haroldo de Souza, com o famoso, e raro, “adivinhe” (os gols importantes, infelizmente, aconteciam de forma escassa). A fase era tão ruim e fraca que os colorados, como eu, precisavam ficar se agarrando num único gol de fase classificatória pelo resto do ano.

Teve ano, que em pleno Natal, ouvi o especial da Guaíba no rádio só para poder escutar um simples gol de Arílson, pela Copa do Brasil (interessante que hoje prefiro o narrador da rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin).

Do desejo de ser narrador, veio a vontade de ser jornalista. Algo totalmente diferente para mim, pois precisa de conhecimento em língua portuguesa, e eu era bom em matemática. Quem me conhece hoje, obviamente, não consegue nem imaginar outra profissão para o Daniel que não o jornalismo.

Com o Inter, mesmo nos tempos mais difíceis, fui criando referências na vida. As datas eram lembradas pelas partidas do clube. Os jogos do time, em especial pelo Campeonato Brasileiro, foram acompanhados quase que sempre – mas sempre mesmo! No rádio, ou na TV. Se necessário, caminhava ao outro lado de Bagé para ir a um restaurante que tinha PPV.

Não interessava a hora ou o adversário. Todos os compromissos existentes, sair com os amigos, uma eventual paquera, uma diversão, uma festa, um aniversário, um encontro familiar ou qualquer outra coisa, passavam a ser secundários e, desta forma, acabavam invariavelmente preteridos pela partida do Internacional.

Para isso, não interessava se o adversário era o poderoso São Paulo ou o modesto Gama de Brasília. Jogo do Inter, isso, sim, é o mais importante. Não posso esquecer, aqui, do meu amigo Rodrigo. Ele foi companheiro em muitas dessas batalhas para ver o Inter.

Tocantins
No segundo semestre de 2005 vim para o Tocantins. A minha vida mudou completamente. Primeiro, conheci Palmas, onde fiquei uma semana e meia. Depois, fui para Taguatinga. Em ambos os locais, providências essenciais para acompanhar o Inter: visita a cyber, a bares com solicitações para colocar no SporTV e até a compra de um rádio que foi usado em Goiás 0 X 1 Inter, escutado em uma rádio goiana.

Depois, foi providenciada a assinatura da SKY. Porém, aquele ano acabou com o lamentável roubo do nosso campeonato brasileiro. O jogo contra o Corinthians foi uma das maiores sacanagens e tristezas. O futebol ficava manchado.

Em 2006, vim para Palmas. Estudar e trabalhar. Nessa capital, do sol interminável, conheci duas pessoas extraordinárias, cada um na sua forma: o Márcio e o Anderson. A Libertadores foi fantástica, os adversários derrubados, um a um, pelo glorioso Internacional.

Um dia após a Conquista da América; Eu em Porto Alegre

Um dia após a Conquista da América; Eu em Porto Alegre

Contra a LDU, em jogo espetacular no Beira Rio, fiquei realmente amigo do Márcio. Quem o conhece, sabe que isso é uma conquista eterna. O Márcio, inclusive, me ajudou a ir à final da Libertadores. Graças a ele, vi, com os meus olhos, e na Popular, o Inter tornar-se o campeão da América.

Depois, durante as semanas de semifinal e final de mundial, eu e o Anderson também nos tornamos mais amigos. Com certeza, outra pessoa fantástica, companheira e prestativa. Naquela semana, inclusive, tomei a decisão de largar um emprego para ver o Inter junto com os amigos. Não era a final, contra o poderoso Barcelona, mas sim a semifinal contra Al Alhy, do Egito. Mas, hoje, não é dia para essa história.

Em 2007, conheci a mulher que hoje é a minha esposa e será mãe do meu filho. Tenho a certeza absoluta que se não fosse o Inter, isso não ocorreria. Não agüentaria os dias de depressão, tristeza e, sobretudo, muito calor em Palmas.
O Inter me deu razão para continuar em frente, me ajudou a escolher o jornalismo, me deu amigos maravilhosos e me tornou um marido. Agora, está prestes a me tornar pai. Certamente, virá mais um colorado para o mundo.

Obrigado por tudo Inter!

Abraços,
Daniel Machado

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter

2 Respostas para “Inter, a minha vida

  1. Maria santos

    Querido Daniel, tu és outro amigo que conhecemos através do Inter,nem acreditei quando o Marcio disse que tu virias com ele para assistir a final da libertadores aqui em POA,chegastes no aeroporto sómente com um moletom em pleno inverno gaúcho,mas eu lembro que tu dizia que frio e chuva não era problema mas sim o jogo que íriamos ter no Beira Rio contra o São Paulo,daí eu admirei a tua coragem e pude perceber que realmente o Inter era tua razão de viver, cheguei a pensar em abrir mão do meu ingresso caso acontecesse algum imprevisto contigo pois eu não poderia deixar que todo o teu sacrifício fosse em vão ,mas não foi necessário, sei que agora vais ser papai e quero te desejar tudo de bom pra tua familia Colorada.
    Abraços

  2. Carla

    Daniel, parabéns!
    Me emocionei muito com este post!
    Muito feliz por vc e sua esposa! Ser pai é uma das melhores experiências da vida.
    Felicidades pra vocês!
    Da amiga,
    Carla.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s