Arquivo do mês: maio 2009

O gol que ganhei de aniversário

Antes de qualquer coisa, quero que todos saibam que a história que será relatada aqui é absolutamente verdadeira, sem nenhum acréscimo a título de “licença poética”. Pois bem, a última quarta-feira me reservou uma daquelas emoções que serve para reafirmar o futebol não apenas como o mais sensacional dos esportes, mas também como uma das maiores criações da humanidade. Exagerado, eu? Para alguns, talvez, mas creio que aqueles que realmente incorporam o espírito de torcedor sabem do que estou falando.

20 de maio, feriado na capital tocantinense. Um dia após meu aniversário oficial, junto alguns amigos para um churrasco, que se prolonga por boa parte da tarde. À noite, o tão esperado jogo de volta das quartas-de-final da Copa do Brasil, entre Inter e Flamengo. O local onde o assistiríamos não poderia ser outro que não a Adega do Cláudio, reduto de gaúchos e colorados aqui em Palmas. Não restavam dúvidas de que as dificuldades seriam grandes, apesar de alguns breves devaneios envolvendo goleadas históricas e acachapantes. Ainda assim, as coisas foram BEM piores do que podíamos imaginar! Os cariocas marcavam implacavelmente, enquanto o time colorado não atacava com todo o ímpeto que os 48 mil abnegados presentes no Beira-Rio e os outros tantos espalhados mundo afora esperavam. A bobeada de Juan e a impressionante velocidade de Nilmar e Taison garantiram nosso primeiro gol, mas a qualidade de Kléberson e Ibson encaminhou o empate rubro-negro, justamente no momento em que nosso time parecia mais próximo de ampliar o marcador. O tempo passava, o convívio com os flamenguistas que, por motivos desconhecidos, optaram por ver o jogo em nosso TERRITÓRIO se tornava quase insuportável. É complicado torcer para um time de fora do EIXO, morando na região norte do Brasil – o surgimento de “torcedores não-praticantes” destes times, nos momentos decisivos das competições, merece uma reflexão à parte, que ainda será feita. Seja como for, aos 43 minutos, Glaydson sofreu aquela falta, nas proximidades da grande área…

A partir daí, a noite tornou-se MÍTICA. Meu irmão Cristiano ligou, de dentro do caldeirão vermelho, cujo rugido podia ser ouvido sem parar na transmissão televisiva. Sem mais delongas, ele falou: “É agora, vai ser agora!”. Eu concordei, e ele pediu que eu não desligasse. Foram poucos segundos, mas pareciam horas. D’Alessandro ou Andrezinho, quem vai assumir a responsabilidade num momento desses? Então, o tempo parou. Pelo celular, escutei gritos de uma vibração enlouquecida. Um segundo depois, talvez dois, a imagem confirmou: a bola passou por cima da barreira e entrou, próxima ao canto direito da meta defendida por Bruno. Muita vibração, xingamentos e quase que chegamos às “vias de fato” com uns flamenguistas abusados que não aceitaram receber GOZAÇÕES. A classificação era nossa, com certeza. Após os minutos finais nos quais Guiñazu provou mais uma vez ser sobre-humano, eu e o Cristiano conseguimos nos falar de novo. “Tu é foda mesmo, seu profeta!”, eu gritei. Foi neste momento em que ele me lembrou da conversa que havíamos tido na véspera, quando ele ligou para me parabenizar pela chegada dos meus VINTE E TODOS: eu disse que o único presente que queria era a vitória contra o Flamengo, e se ele pudesse ajudar nisso, seria perfeito. Pois então, promessa feita, promessa cumprida: fiquem sabendo, todos os que aguentaram chegar até aqui, que o gol foi metade do Andrezinho, metade do Cristiano! Aquele tinha sido meu presente de aniversário, ora!

Está provada, mais uma vez, a conexão que só o Inter é capaz de me proporcionar, demonstrando que 3000km de distância não são absolutamente nada quando o assunto é a PAIXÃO COLORADA.

Abraços,
Marcio Santos

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Um dia de tráfego aéreo em nosso planeta

Este vídeo, que descobri graças ao blog do Marcelo Tas, me deixou bastante impressionado. Prestem atenção no movimento nos EUA e na Europa, chega a ser chocante.

Para facilitar o entendimento do negócio, aí vai a descrição que o responsável colocou em sua postagem no Youtube:

O tempo deste clip é de 1m 12s e representa as 24 horas de um dia inteiro de viagens de avião, internas e entre os continentes.

Aproximadamente cada segundo de filme, representa 20 minutos reais. Cada pontinho amarelo é um voo com pelo menos 250 passageiros. Note que os voos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, e retornam de dia.

Pela imagem que o sol imprime no globo, pode-se dizer que é verão no hemisfério norte. Nos pólos norte e sul, não se observa a variação solar.

Abraços,
Marcio Santos

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O Censo e o “bom senso”

Hoje, por ossos do ofício, participei de uma reunião com o pessoal do IBGE, sobre o Censo 2010. Tratava-se, na verdade, da formação de uma Comissão Censitária Estadual, para a qual foram convidados representantes de universidades e diversos órgãos públicos, estaduais e federais, atuantes no Tocantins. Pensando bem mesmo, o que me chamou a atenção foi justamente o fato desta ser a primeira vez em que se pretende formar comissões destes moldes, pelo Brasil afora. Consta que antes existiam apenas umas comissões municipais, que eram um tanto quando desconexas entre si, justamente por falta de alguma instância que lhes desse orientação e apoio – este é o papel que pretende-se seja desempenhado pela tal Comissão Estadual. Achei isso interessante porque um órgão como o IBGE, responsável pela coleta de dados capazes de caracterizar a população em inúmeros aspectos e, consequentemente, subsidiar a formulação de políticas públicas, cumpre uma função primordial na estrutura do Estado. Imediatamente lembrei que num passado distante li algo que o Bourdieu escreveu sobre o assunto, e graças ao Google, localizei o trecho em questão, que está em Razões Práticas:

“O Estado concentra a informação, que analisa e redistribui. Realiza, sobretudo, uma unificação teórica. Situando-se do ponto de vista do Todo, da sociedade, ele é o responsável por todas as operações de totalização, especialmente pelo recenseamento e pela estatística ou pela contabilidade nacional, pela objetivação, por meio da cartografia, representação unitária, do alto, do espaço, ou simplesmente por meio da escrita, instrumento de acumulação do conhecimento (por exemplo, com os arquivos) e de codificação como unificação cognitiva que implica a centralização e a monopolização em proveito dos amanuenses ou dos letrados.” (p. 105)

(Segundo a Wikipedia, amanuense “é todo aquele que copia textos ou documentos à mão”, sendo que, “vulgarmente, considera-se amanuense o escriturário duma repartição pública ou estatal, que manualmente regista documentos ou os copia”.)

Assim, acho interessante que tantas instâncias do poder público tenham, segundo os relatos dos presentes na reunião, historicamente ficado numa posição de relativo desinteresse em relação aos recenseamentos. Afinal de contas, concordando com a leitura bourdiana sobre o assunto, para o bem ou para o mal o Estado precisa dessas informações. Mais do que isso, me chama a atenção que, ao invés de concentrar esforços num Censo que fosse capaz de dar conta de uma gama mais ampla de dimensões da realidade social, órgãos responsáveis por saúde e educação acabam por fazer seus próprios levantamentos. Talvez eu esteja desinformado, inclusive porque certamente há meandros da política interna e externa destas instituições que eu desconheço. Entretanto, me parece que este é mais um exemplo da falta de articulação entre as várias instâncias que compõem a burocracia estatal neste país (aqui me refiro à “burocracia” num sentido weberiano, que fique bem claro!)

Seja como for, tenho que registrar que a vontade de engajar-se no processo por parte dos representantes do poder legislativo estadual e dos municípios foi notável, e deve-se, basicamente a um simples fator: a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios é proporcional à população de cada localidade. Acontece que na última contagem da população, em 2007, várias cidades, incluindo Palmas, a capital, ficaram com bem menos habitantes do seus administradores acreditavam ter. Com isso, os repasses diminuíram, e muitos atribuem a culpa disso ao IBGE, que, por sua vez, afirma não ter recebido o apoio necessário para a aplicação dos questionários, principalmente nos lugarejos mais isolados das zonas rurais. Agora, visando 2010, as lideranças políticas estão dispostas a garantir que sejam recenseados desde o agricultor que vive num rincão onde só é possível chegar a cavalo até o trabalhador urbano que passa 16 horas do dia longe de casa. O importante é achar estas pessoas, onde quer que elas estejam!

Enfim, acho que este é mais um processo que pode render uma experiência bacana, de vez em quando até mesmo podendo dar uns palpites!

Abraços,
Marcio Santos

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Mais do que um gol…

O Internacional estreou, domingo, contra o Corinthians. O Inter não repetiu suas últimas atuações. Não jogou bem. Os paulistas colocaram um time bastante descaracterizado, porém nosso futebol não foi o mesmo. Mas, querem saber, isso pouco importa.

O importante foi derrotar o Corinthians. O importante foi, mais uma vez, suplantar aquele adversário que, de uma forma injusta dentro e fora do campo, nos tirou (ou seria roubou?) o Campeonato Brasileiro de 2005.

Bom, além disso, aproveito para destacar aqui o fato mais relevante na vitória. O gol de Nilmar. Mais do que um gol, uma pintura. Mais do que um gol…

Depois de superar toda a defesa desse time paulista, Nilmar se prepara para marcar o gol

Depois de superar toda a defesa desse time paulista, Nilmar se prepara para marcar o gol

Veja o gol aqui, com reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo, narração de Pedro Ernesto Denardin, da rádio Gaúcha. A matéria traz, ainda, entrevista com o jogador e com mãe dele.

A foto é de Alexandre Lops, da Assessoria de Comunicação do Inter.

Rumo ao tetra!

Abraços,
Daniel Machado

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Inter nunca perdeu no Beira Rio quando foi campeão nacional

Nesse domingo, às 16 horas, no Pacaembu, começa o Campeonato Brasileiro para nós, colorados. Apontado por todos os órgãos de comunicação como o maior favorito ao título, o Internacional, para ser campeão, ou repete uma façanha histórica ou quebra uma escrita. Não tem jeito, é só uma das alternativas que vale.

Na conquista dos seus três campeonatos, 1975, 1976 e 1979, o Inter nunca perdeu sequer um jogo no estádio, o Beira Rio. Em 75, foram 11 vitórias e 4 empates. Em 76, 12 vitórias e, em 79, oito vitórias e 4 empates.
Ao todo, são 31 vitórias e 8 empates.

Para ser campeão esse ano sem perder em casa serão necessários 19 partidas. Entre elas, jogos contra Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Corinthians, Grêmio, Fluminense e Cruzeiro, apenas para citar os que parecem ser mais fortes. Missão difícil? Com certeza, mas não é impossível.

Acumulando os anos de 75 e 76, o Inter já conseguiu essa invencibilidade em casa. Foram 27 jogos seguidos pelo Brasileiro no Beira Rio sem derrotas.

Em 1979, Inter foi campeão invicto

Em 1979, Inter foi campeão invicto

Além disso, o Inter ainda é dono de outra marca histórica bem mais conhecida. No ano de 79 o clube conseguiu o campeonato de forma invicta. Foi a única que vez que isso aconteceu na história da competição, em uma façanha que talvez nunca seja igualada.

Confiança
Neste ano, o Internacional ainda não sofreu derrotas no Beira Rio. O time, que tem o melhor ataque do Brasil, com 82 gols marcados, vem jogando muito bem. Isso, claro, não garante o título nacional e nem a invencibilidade. É preciso encarar todas as partidas como uma decisão. É preciso ter concentração. É preciso ter sorte também, afinal são poucos, se é que existe, campeões que não tiveram sorte na competição.

Os dados do campeonato são do site http://www.rsssfbrasil.com/. Para a pesquisa, contei com o apoio de um dos sócios do blog, Márcio Santos. Confira logo abaixo a lista completa dos jogos no Beira-Rio na campanha do tricampeonato brasileiro.

Abraços,
Daniel Machado

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