Arquivo do mês: julho 2010

A hora e a vez de Celso Roth…

[Nota do editor: Para compensar a inatividade dos titulares deste blog, eis aí, às vésperas do JOGO DO ANO, mais uma colaboração de nosso amigo (apesar de gremista) Tom Madalena]

…se aproxima. Contratado pelo Inter para as semifinais da Libertadores da América, a impressão é que ele saiu do Grêmio ontem… na primeira fase de grupos da Libertadores 2009, para voltar agora, com tratamento vip na ante-sala da final de 2010. Sua contratação foi surpreendente. Não era um nome cogitado na imprensa. De certa forma, sua saída do Grêmio também foi uma surpresa. Afinal foi ele o responsável por montar um time vice-campeão do Brasil em 2008 (que só não ganhou o título, resguardado o mérito do São Paulo, por incompetência da direção, que manteve uma eleição no meio do campeonato e, sobretudo, precisando de um centroavante, trouxe Richard Morales que, aos 36 anos, estava se aposentando!) E saiu do Grêmio não porque perdia jogos na Libertadores e sim por causa de umas derrotas em Grenais, para um time que lhe era superior. Como continua sendo, diga-se a bem da verdade.

Então, chegou a hora e a vez de Celso Roth. A hora de sabermos se ele traz uma estrela escondida ou se é mesmo um azarado. A hipótese aqui é simples. Parte do pressuposto de que o Inter amassa o São Paulo e o Chivas ao Universidad do Chile.

Se tem estrela, ele ganha a Libertadores. Se é azarado, veremos o Internacional sendo o primeiro time da América a ir representar o continente no Mundial na condição de vice-campeão. Sim, pois no caso do Chivas campeão, ele leva o caneco, põe a faixa, mas não representa a América. Então vai o vice. Imaginem a cena final, Inter bi campeão do mundo e vice campeão da América. Algo surreal, mas que tem chances de acontecer. Se Celso Roth for azarado! Disso saberemos em breve.

Para terminar e não ficar em cima do muro… estou desconfiado de que (até para dar um tempero especial à rivalidade Grenal) o Inter vai ser bicampeão do mundo… e que os mexicanos vão tomar todas as Tequilas e quando acabar, bom eles vão começar a esvaziar as de Chivas 12 anos…

Torcer não é o caso, não é a palavra (só se aplica ao nosso time, no caso o Grêmio) mas espero que o Inter passe pelo São Paulo. E claro que em uma final contra a Inter de Milão também assisto o jogo com a expectativa que o da América vença. Por dois motivos, o primeiro a memória afetiva da minha mãe contente com o primeiro título brasileiro em 1975. Morávamos em São Paulo e a distância ajuda a ver a rivalidade de outra forma. Compartilhei da alegria dela. O segundo, é que do meu ponto de vista a rivalidade tem que servir para puxar para cima. O Grêmio que tome jeito e saiba montar times para ganhar títulos importantes.

P S. O leitor atento pode acusar o autor de falta de lógica. Afinal que azar é esse de se tornar bi-campeão do mundo? Vamos por partes. Primeiro, tratamos desse momento, a Libertadores. E claro que a sorte e o azar gostam de brincar com o tempo… É claro que no caso apresentado, um lance de azar se transforma em sorte mais à frente. Sorte do Internacional… e de Roth que, se estiver no comando, se revelará um azarado sortudo.

Antônio Madalena

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Melhor centroavante da Copa é uruguaio. Goleiro revelação também. E são o mesmo jogador!

[Note do editor]: No dia em que o Uruguai enfrentará a Holanda num jogo que esperamos seja tão épico como foi o confronto com Gana, publicamos uma colaboração do grande amigo Antônio Madalena, popularmente conhecido como Tom. Como o texto condiz perfeitamente com o espírito do Golpe de Cabeça, chegamos ao cúmulo de aceitar a colaboração de um gremista para um blog de colorados. Esperamos que nossos cinco leitores gostem!

Maneira correta de comemorar gols

Suárez, o centroavante uruguaio é disparado o melhor centroavante da Copa. Essa história de melhor é sempre discutível. Mas nesse caso os fatos ultrapassam toda possibilidade de discussão. E também aquela história de goleador da Copa não quer dizer nada. É só estatística.

Um centroavante deve fazer gols. Não se exige que seja sempre, a toda hora. Basta uma certa constância, a que se dá o nome de regularidade, e que esse padrão seja pontuado por gols importantes, decisivos. E Suárez fez gols decisivos, sobretudo o que levou nosso querido país vizinho das oitavas para as quartas.

Quartas de final contra o bom time de Gana, o que se esperava? Óbvio. Gols de Suárez. E é aí que Suárez se supera. Ele se revela o goleiro da Copa. Com duas rodadas antes da final. De forma decisiva e resoluta, como deve ser para um herói, nesses tempos de mais ou menos e muita enganação, Suarez defende duas vezes. Afinal, na primeira defesa, por um vício de centroavante, ele deu um chute na bola. Esqueceu que estava na sua área e que tinha um monte de ganenses loucos e sedentos para pegar a Jabulani de jeito. Pois um pegou e já contava com o gol quando Suárez, inabalável, resoluto, estende a mão e faz uma defesa sensacional, no alto, quase junto ao poste superior. Uma bola verdadeiramente difícil! Dificílima. A mais sensacional defesa da Copa, embora duvide que a FIFA vá colocá-la no filme oficial de 2010. O juiz, obediente às normas, expulsa Suarez, não permitindo que ele veja como testemunha plena o que acontece. É um Suárez ainda melancólico, caminhando para o vestiário, que ouve e vê pelo telão o que os deuses do futebol tinham reservado a ele.

E o que os Deuses do futebol (esses mesmos que fiéis à justiça mandaram o Brasil de volta para casa, para o bem do nosso futebol, diga-se) decretaram é que Suárez é o novo herói uruguaio. A merecer muitas homenagens, nome em escolas, estátuas ao lado de algumas do general Artigas… (Quem conhece o Uruguai sabe que nossos hermanos são dados a colocar o general e seu cavalo em quase que todas as praças. Bom, será divertido encontrar Suárez ao lado do general.)

Agora é torcer pela celeste. Torço muito pelo Uruguai. Bom, claro, depois de tudo isso, o leitor deve estar pensando que torço por vitórias espetaculares. Claro que não! Torço por pênaltis. Um zero a zero sofrido contra a Holanda está de bom tamanho. A Holanda pode até chutar umas bolas na trave. Mas, ao final da prorrogação, pênaltis. E aí, claro, Uruguai! Por favor, alguém lembre ao Loco Abreu para fazer diferente. E depois a Alemanha provavelmente. É até de lamentar, pois ninguém jogou futebol tão bonito nessa copa quanto eles… Mas fazer o quê… Com o Uruguai pela frente as coisas são diferentes… Ou, melhor dizendo, encardidas. As coisas são encardidas. Um 1×1 para dar alguma emoção aos 120 minutos regulamentares está de bom tamanho. Claro, a Alemanha saindo na frente logo de inácio, passando o jogo com mais duas, três chances de aumentar… essas coisas que tornam um bom jogo dramático. E aí, pelos trinta do segundo tempo, o empate em alguma bola chorada na área alemã. E vamos aos pênaltis para glória do Uruguai. Que assim seja, se os Deuses do futebol assim quiserem.

E, imaginem, o Uruguai voltando ao Brasil, depois de 50, como campeão do mundo!

Antônio Madalena
Amante do futebol arte, apesar de gremista!

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Muito mais que um jogo

Jugar a morir

A partida entre Uruguai e Gana, disputada neste sábado em Johannesburgo, entrará, sem qualquer sombra de dúvida, para a história das Copas do Mundo. Qualquer pessoa que tenha acompanhado ao menos os minutos finais do embate teve uma lição completa sobre as razões que fazem do futebol muito mais que um jogo. Os uruguaios, bicampeões do mundo, porém há anos enfrentando o ostracismo e a decadência, num certo sentido reflexo da estagnação econômica do país, contra a última seleção do continente africano ainda remanescente na competição. Atletas que, em sua maioria, não são protagonistas em seus clubes, apesar de há muito atuarem longe de seus países. Um confronto complicado, onde duas equipes conscientes de suas limitações as superam com garra e disposição comoventes. No primeiro tempo, o gol de Gana, num arremate longo de Muntari; no segundo, os uruguaios empatam com um tirambaço cheio de efeito de Forlán, somatório da qualidade do jogador com as loucuras da famigerada bola Jabulani. Um prorrogação onde o desgaste dos orientales aparentemente daria vantagem aos africanos, melhor preparados fisicamente. Todavia, quando se joga com o coração, todos os limites são superáveis: mais 30 minutos de um jogo parelho e combatido em todos os recantos do gramado. Aproxima-se o final do tempo extra e deixamos de presenciar uma partida de futebol, passando a assistir a história do esporte, bem em frente aos nossos olhos.

Falta duvidosa, nas proximidades da área uruguaia. Os ganenses jogam a pelota para o meio do tumulto, bate e rebate, o gol parece certo… Eis que Luis Suárez, jovem goleador celeste, num ato desesperado daqueles que sabem o significado da expressão jugar a morir, mete a mão na bola, tal qual um arqueiro, simplesmente porque não havia nada mais a fazer. A marcação do pênalti é corretíssima, assim como a expulsão. Trocou-se um gol pela esperança. Asamoah Gyan, o bom centroavante de Gana, possivelmente o melhor jogador africano na Copa 2010, tem a responsabilidade de marcar e colocar sua seleção nas semi-finais. Segundos intermináveis de tensão e silêncio. A bola explode na trave. Alguma das tantas câmeras espalhadas pelo estádio flagra Suárez, até poucos instantes cabisbaixo e desolado, vibrando como se houvesse marcado um gol. Sim, ele não marcou, mas deu à sua seleção, ao seu país, a oportunidade de continuar acreditando na classificação. Valeu a pena: na decisão por pênaltis, duas defesas do guarda-metas Muslera, sacramentadas pela absolutamente debochada “cavadinha” na cobrança do avante Loco Abreu, colocaram o Uruguai nas semifinais da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1970.

O Uruguai, um pequeno país quase do tamanho do vizinho estado brasileiro do Rio Grande do Sul, mas com um terço da população deste. São apenas 3,5 milhões de pessoas, e talvez um outro tanto destas espalhado mundo afora, pois a economia estagnada e a falta de perspectivas de trabalho levam os uruguaios a migrar para a Argentina, para a Austrália, para o Brasil, para os EUA, para a Europa,… Uma nação orgulhosa de suas tradições, porém constrangida por raramente poder se postar ao lado dos “grandes do mundo”, uma vez que suas glórias esportivas e sua pujança econômica ficaram num passado que se torna cada vez mais distante. Pois bem, o Uruguai está nas semi-finais da Copa do Mundo, enquanto gigantes cujas seleções são formadas por alguns dos mais badalados jogadores do planeta, como França, Itália e Brasil, estão de fora. Quando acontecem coisas assim, ainda por cima numa partida que lembraremos por décadas a fio, percebemos que estamos lidando com algo que transcende a esfera puramente esportiva. Em dias como este compreendo melhor os motivos que me levaram a ter uma paixão tão grande por este negócio, e lamento, bastante, por aqueles que, em sua ânsia de lutar contra os “ópios” que supostamente cegariam o “povo”, não conseguem enxergar a beleza e a poesia de momentos como este.

O esporte, em si, dá lições todos os dias. O futebol, paixão mundial, faz um pouco mais do que isso. Quem conhece o Uruguai, mesmo quem já viveu lá, mal consegue imaginar a alegria que povo daquele pequeno país localizado no sul da América do Sul está vivendo neste momeno.

Ser testestemunha de uma partida como esta não tem preço. O jogo, sem dúvida, deixa claro que, na vida, quando se quer um objetivo, é preciso acreditar até o fim na possibilidade de obter sucesso, por mais pequena e difícil que esta seja. A lição é nunca desistir, nem quando o placar é um a um e se tem um pênalti contra aos 18 minutos do segundo tempo da prorrogação…

Isso é a Copa do Mundo, meus amigos. Nada mais importa.

Abraços,
Marcio Santos

– com a colaboração de Daniel Machado

A foto acima foi retirada do site do jornal argentino La Nación

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Copa do Mundo: projeções, curiosidades, impressões e tudo mais

Amanhã e no sábado a 19ª Copado Mundo vai conhecer os seus quatro semifinalistas. A competição, que começou travada, está tendo grandes jogos e muitas emoções. Algumas surpresas e outras confirmações, como era de se esperar. O torneio, que acontece a cada quatro anos, não conta com elevadíssimo nível técnico, mas tampouco deixa a desejar.

Diferentemente do que pensam muitas pessoas, o futebol não é só apaixonante no Brasil e na América do Sul. A tristeza dos italianos com a campanha ridícula, o vexame dos franceses com o time desunido e  sem alma: estes sentimentos com certeza com certeza foram muito dolorosos para a população desses dois países. Até o povo dos Estados Unidos, que não têm no futebol seu esporte preferido, sofreu e sonhou com a sua seleção. Basta ver os índices recordes de audiência que os jogos equipe tiveram no país, superando até finais da NBA.

A Copa do Mundo da África do Sul é, também, a primeira a contar com transmissão de todos os jogos em canal aberto, em todo o território dos EUA. Conheço muitas pessoas que tratam o futebol e o esporte com desdém e, afirmo, sem medo de errar, que às vezes sinto pena delas, por não terem a oportunidade de apreciar uma partida como foi o confronto entre Alemanha e Inglaterra pelas oitavas-de-final da competição. O jogo teve lindos gols, falhas, erro clamoroso de arbitragem, emoção, olé, rivalidade e até lembranças as guerras mundiais, ou seja, foi uma partida carregada de história.

A alegria do povo sul-africano, também, não pode ser esquecida. Dentro das suas possibilidades, a população do país abraçou o torneio, os jogos e os torcedores dos outros países. Sem dúvida alguma, um espetáculo singular. Além disso, deixando um pouco de lado os gastos excessivos e o legado que o torneio vai deixar para o país, a copa serviu para unir, ainda mais, o povo do país, que foi massacrado por anos de segregação racial.

Meus palpites para as quartas-de-final, com cotação, são os seguintes:

Confrontos:

Brasil – 54%
Holanda – 46%

Uruguai – 55%
Gana – 45%

Alemanha – 55%
Argentina – 45%

Espanha – 65%
Paraguai – 35%

Ressalto, aqui, que estes palpites estão baseados no que os times apresentaram até agora, na minha torcida pessoal e na história de cada camiseta nas copas do mundo. Resumindo, são apenas palpites, com um embasamento no mínimo duvidoso.

Curiosidades

A Holanda foi a última seleção a fazer um gol de empate em copas do mundo contra o Brasil. Foi no 1 x 1 , nas semi-finais, em 1998. O gol foi um golpe de cabeça, anotado pelo centroavante Patrick Kluivert. Desde então, sempre que o Brasil sai ganhando vence e sequer leva o empate transitório.

O Brasil nunca sequer empatou com times africanos em copas do mundo. Então, se tiver semifinal contra Gana, aposte no Brasil sem qualquer receio.

A Alemanha, desde 1934, fica pelo menos entre os oito em copas do mundo.

A Alemanha jamais perdeu disputas de pênaltis em copas do mundo.

Nesta Copa, a Alemanha viu seu recorde de mais de 22 cobranças convertidas de pênaltis (contando desempates após a prorrogação) consecutivas ser quebrado. Lucas Podolski perdeu pênalti contra a Sérvia e este foi o primeiro desperdício da seleção alemã desde1986.

Com dois gols nesta copa e 12 no total, o alemão Miroslav Klose busca alcançar o recorde de 15 gols em copas do mundo do brasileiro Ronaldo. Para tanto, precisa manter a média obtida em 2002 e 2006, quando fez cinco gols em cada uma das edições.

Dos 12 gol do alemão Klose, sete foram de golpe de cabeça. Não encontrei registro oficial, mas acredito que ele tenha sido o jogador que mais marcou de cabeça em mundiais.

A Dinamarca nunca havia levado gol em cobrança direta de falta em copas do mundo. Nesta edição, contra o Japão, levou dois no mesmo jogo.

Mesmo invicto e classificado às quartas-de-final, o Paraguai ainda corre para quebrar a escrita de jamais ter vencido duas partidas seguidas em  Copa do Mundo. Como só passou pelo Japão nos pênaltis, quebrar esse tabu nesta edição exige chegar à final com duas vitórias. A outra possibilidade é derrotar a Espanha nos pênaltis e depois ganhar a semifinal e a final.

Mesmo contando com quatro bons avantes no elenco, nenhum dos três gols do Paraguai na competição até agora foram feitos por atacantes. Caso perca sem fazer gols para a Espanha, os atacantes vão ir embora zerados.

Pela primeira vez, a Copa tem mais sulamericanos (quatro) que europeus (três) entre os oito primeiros.

Como todos os sulamericanos estão em chaves diferentes, a Copa pode acabar com todos os países desse lado menos favorecido do mundo nas quatro primeiras posições.

Os dois gols da Grécia na vitória de virada contra a Nigéria foram os únicos marcados pelo campeão europeu de 2004 na história da Copa do Mundo.

O Uruguai não terminava a primeira fase em primeiro desde 1954.

A Holanda busca um recorde histórico nesta Copa do Mundo: igualar o Brasil de 1970 e conseguir vencer todas as partidas do torneio e das eliminatórias, em uma mesma edição.

A Nova Zelândia foi eliminada invicta da Copa do Mundo. Empatou as três partidas da primeira fase – 1 x 1 com a Eslováquia, 1 x 1 com a Itália e 0 x 0 com o Paraguai.

A Nova Zelândia levou a campo um jogador que não é totalmente profissional . Andy Barron trabalha em um banco no país e conseguiu licença para disputar a Copa.

Maradona e Dunga: um dentre eles pode se tornar campeão como jogador e técnico. O feito só foi alcançado pelo alemão Franz Beckembauer e pelo brasileiro Mário Jorge Lobo Zagalo.

O Uruguai tem uma vantagem histórica nesta sexta-feira. Jamais uma seleção africana chegou a uma semifinal de Copa do Mundo.

Até agora, nenhum camisa 5 marcou na Copa do Mundo.

Abraços,
Daniel Machado

Com a colaboração de Marcio Santos

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