Arquivo da categoria: Inter

Refletindo sobre o “caso Oscar” e a liberdade dos jogadores de futebol

Oscar, meia do SC Internacional (Lucas Uebel/VIPCOMM/Divulgação)

O embate judicial envolvendo o São Paulo FC, o jovem meia Oscar e, mais recentemente, o SC Internacional, nos incentiva refletir sobre a real extensão da liberdade que possui um jogador de futebol, enquanto trabalhador. O fato é que, como em tantos outros casos, nos parece que a realidade das relações sociais não está correspondendo aos direitos que são garantidos pelo arcabouço legal vigente em nosso país.

Para quem ainda não sabe, no final de 2009, aos 18 anos, Oscar ingressou com ação na Justiça do Trabalho contra o São Paulo, alegando que, aos 16 anos, em 2007, teria sido coagido pela diretoria do tricolor paulista a emancipar-se para poder assinar um contrato de cinco anos. Na ocasião, argumentou também que seus salários e FGTS estariam atrasados desde setembro de 2008. Oscar obteve uma liminar na primeira instância, tornando-se dono de seus “direitos federativos”. Após seis meses de tentativas de acordo e novas disputas judiciais, em junho de 2010 o promissor meia assinou com o Internacional.

No Inter, Oscar foi ganhando espaço aos poucos, até que, em 2011, tornou-se titular, disputando o Campeonato Gaúcho, a Taça Libertadores da América, a Recopa Sul-Americana e o Brasileirão. Sua belas atuações o valorizaram muito no chamado “mercado da bola”, resultando, inclusive, em convocações para a Seleção Brasileira. Até recentemente era tido como nome certo para as Olimpíadas de Londres. No começo da temporada de 2012 vinha ganhando cada vez mais protagonismo no meio-campo colorado, dividindo com o ídolo D’Alessandro a tarefa de armação de jogadas.

Tal trajetória ascendente foi interrompida em março, quando os desembargadores da 16ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo deram, por unanimidade (3×0), provimento ao recurso do tricolor paulista. Determinou-se, assim, o reestabelecimento do contrato assinado em 2007, o qual acabaria em dezembro de 2012.

Ocorre, todavia, que o atleta deixou claro que não pretende voltar a atuar no São Paulo. No contexto de um novo recurso que foi apresentado ao TST e ainda não foi julgado, surgiu uma discussão, fortemente repercutida pela mídia, acerca da possibilidade do jogador e seu atual clube pagarem o valor da cláusula penal acertada no contrato de 2007 – aproximadamente R$ 9 milhões. O clube paulista insiste que não quer acordo, pois o que pretende é que o jogador retorne a suas fileiras. É a partir daí que podemos refletir se não se está, num certo sentido, remontando aos tempos de quase escravidão da chamada “Lei do Passe”.

O passe era definido pela legislação como a importância devida por um clube ao outro pela cessão do atleta profissional durante a vigência do contrato ou após a extinção deste.

Na prática, significava que o atleta mantinha seu vínculo com a entidade de prática desportiva que o formou, “pertencendo” a esta, que poderia vendê-lo a outro clube, ainda que não houvesse contrato de trabalho vigente. O instituto foi criado com o objetivo de impedir o aliciamento e a concorrência desleal na contratação de jogadores.

Com o advento da Constituição Federal de 1988, o passe passou a ser objeto de muitas críticas, uma vez que violava a liberdade de trabalhar e contratar, uma vez que o atleta, após cumprir integralmente um contrato de trabalho não podia, quase nunca, exigir o atestado liberatório, configurando-se, assim, uma espécie de escravidão.

Buscando um maior equilíbrio nas relações entre atletas e clubes, em 1998 a Lei Pelé extinguiu o passe, criando um novo instituto, a que chamou de “cláusula penal desportiva”, que muitos consideram uma verdadeira “carta de alforria” dos atletas brasileiros.

A cláusula penal é instituto originário do direito civil, que se apresenta como meio de que se servem os sujeitos do contrato para garantir a responsabilidade pela inadimplência da obrigação contratual.

No campo do direito desportivo a cláusula penal foi um marco, pois, por um lado, dava aos clubes a proteção que estes queriam, em decorrência dos altos investimentos realizados. Por outro lado, os atletas passaram a estar vinculados ao clube apenas pelo contrato de trabalho, tendo garantido assim o direito de exercer sua profissão, podendo jogar onde quisessem, quando quisessem.

Pois foi justamente com este entendimento que, apesar de sucessivas manifestações dos representantes do São Paulo afirmando que Oscar teria que, obrigatoriamente, retornar ao clube, o ministro do TST Guilherme Caputo Bastos concedeu habeas corpus favorável ao atleta. São bastante significativas, neste contexto, as palavras do magistrado no seguinte trecho de sua decisão: “(…) a obrigatoriedade da prestação de serviços a determinado empregador nos remete aos tempos de escravidão e servidão, épocas incompatíveis com a existência do Direito do Trabalho, nas quais não havia a subordinação jurídica daquele que trabalhava, mas sim a sua sujeição pessoal. Ora, a liberdade, em suas várias dimensões, é elemento indispensável ao Direito do Trabalho, bem como a ‘a existência do trabalho livre (isto é, juridicamente livre) é pressuposto histórico-material do surgimento do trabalho subordinado (e via de consequência, da relação empregatícia)”.

A análise do caso Oscar explicita, de forma bastante intensa, a discrepância que existe entre as normas jurídicas e a prática social, e força, mesmo aos olhares mais apaixonados, uma desnaturalização da “normalidade” de certas relações ainda hoje vigentes entre jogadores de futebol e os clubes aos quais estão vinculados.

Abraços,

Marcio Santos e Camylla Montandon

P.S.: Camylla Montandon recentemente defendeu monografia de conclusão do curso de Direito intitulada
“Aplicabilidade da Cláusula Compensatória Desportiva instituída pela Lei Nº 12.395/2011”

2 Comentários

Arquivado em Futebol, Geral, Inter

Analisando La Copa: a fase de grupos se aproxima do final

Há muito tempo sem um post, o blog volta, hoje, pouco antes do início quinta rodada da segunda fase (oficialmente, a primeira fase é o que, no Brasil, chamamos de Pré-Libertadores) da Taça Santander Libertadores, a Libertadores de América.
Em vez de opinião, o signatário deste post irá se concentrar em informação. Os pouquíssimos leitores podem conferir como os times podem se classificar com uma rodada de antecipação.
Grupo 1
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Santos
9
4
3
0
1
9
4
5
75
2
Internacional
7
4
2
1
1
9
4
5
58.3
3
The Strongest
7
4
2
1
1
5
8
-3
58.3
4
Juan Aurich
0
4
0
0
4
2
9
-7
0
No Grupo 1, esta quinta rodada tem o Inter recebendo o Santos, no Beira Rio, em Porto Alegre, com a presença do amigo @marciomsantos no estádio, nesta quarta-feira, às 21h50. Uma vitória da esquadra de Neymar, o melhor jogador brasileiro, classifica o Santos, que iria a 12 pontos, por antecipação.
Segundo colocado do grupo, o Inter se classifica se vencer e os bolivianos do The Strongest não superarem, na quinta-feira, no Peru, o Juan Aurich, pior time da Libertadores, sem um mísero pontinho.
Caso perca, o Inter (o signatário do post torce muito para que isso não ocorra) pode se complicar muito se o The Strongest vencer os peruanos.
Jogos que faltam
Internacional x Santos – 04/04, às 21:50
Juan Aurich x The Strongest – 05/04, às 22:30
Santos x The Strongest – 19/04, às 19:45
Juan Aurich x Internacional – 19/04, às 19:45
Grupo 2
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Lanús
7
4
2
1
1
5
3
2
58.3
2
Olimpia
7
4
2
1
1
8
7
1
58.3
3
Flamengo
5
4
1
2
1
7
7
0
41.7
4
Emelec
3
4
1
0
3
1
4
-3
25
Líderes com sete pontos cada, Lanús e Olimpia podem se classificar na rodada que se inicia hoje e termina nesta quarta-feira. Os clubes, porém, não dependem só de si para isso. No enfrentamento de hoje às 19h45, tanto argentinos quanto paraguaios têm que vencer e, na quarta-feira, torcer para que o Flamengo não vença o Emelec, lanterna do grupo, no Equador. O grupo, entretanto, é muito equilibrado e, por isso, ao mesmo tempo em que podem garantir classificação por antecipação, Lanús e Olimpia podem ficar em situação complicadíssima com uma eventual derrota e vitória do Flamengo, sobretudo no caso dos argentinos. Caso Lanús perca em casa hoje e o Flamengo vença amanhã, na última rodada, no dia 12 de abril, o time de Buenos Aires será obrigado a vencer o Flamengo no Rio de Janeiro.
O fato curioso do grupo é a possibilidade de Flamengo, Olimpia e Lanús chegarem à última rodada empatados com oito pontos. Basta que os cariocas vençam e a outra partida termine empatada.
Jogos que faltam
Lanús x Olimpia – 03/04, às 19:45
Emelec x Flamengo – 04/04, às 21:50
Olimpia x Emelec – 12/04, às 19:30
Flamengo x Lanús – 12/04, às 19:30
Grupo 3
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Unión Española
7
4
2
1
1
7
4
3
58.3
2
Bolívar
7
4
2
1
1
5
5
0
58.3
3
Universidad Católica
6
4
1
3
0
6
5
1
50
4
Junior Barranquilla
1
4
0
1
3
3
7
-4
8.3
Briga acirrada entre os três primeiros colocados. Tanto o Unión Española, quanto Bolívar, que jogam entre si, podem se classificar na rodada que só termina na semana que vem (vai entender essa Confederação Sulamericana). Para se classificar, esses times têm que vencer e torcer para que o Universidad Católica seja derrotado pelo virtualmente eliminado Junior Barranquilla na Colômbia. O detalhe do grupo é que se o Universidad Católica ganhar do Júnior pode passar de terceiro para líder, desde que a outra partida termine empatada.
Jogos que faltam
Junior Barranquilla x Universidad Católica – 04/04, às 21:50
Unión Española x Bolívar – 10/04, às 20:45
Bolívar x Universidad Católica -17/04, 22:30
Junior Barranquilla x Unión Española -17/04, 22:30
Grupo 4
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Fluminense
12
4
4
0
0
5
1
4
100
2
Boca Juniors
7
4
2
1
1
5
3
2
58.3
3
Arsenal de Sarandí
3
4
1
0
3
4
5
-1
25
4
Zamora
1
4
0
1
3
0
5
-5
8.3
No grupo que não terá jogos nesta semana, a situação parece estar quase definida. Melhor time da Libertadores, único com 100% de aproveitamento, e um dos dois únicos invictos (o outro é o Atlético Nacional da Colômbia) o Fluminense se classificou com duas rodadas de antecipação. Em segundo lugar, o Boca Juniors se classifica se vencer o Fluminense no Rio de Janeiro. Caso perca, ainda assim se classifica se o Arsenal for derrotado pelo Zamora. Mesmo que dê tudo errado para o Boca na quinta rodada, com derrota no RJ e vitória do conterrâneo argentino fora de casa contra o Zamora, a situação ainda será confortável, porque o papão de títulos da América só precisará de uma vitória simples, em casa, contra os venezuelanos, na última partida, para se classificar.
Jogos que faltam
Zamora x Arsenal -10/04, às 19:45
Fluminense x Boca Juniors -11/04, às 22:00
Boca x Zamora – 18/04, às 19:30
Arsenal x Fluminense -18/04, às 19:30
Grupo 5
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Libertad
7
4
2
1
1
7
5
2
58.3
1
Vasco
7
4
2
1
1
7
5
2
58.3
3
Nacional-URU
6
4
2
0
2
4
4
0
50
4
Alianza Lima
3
4
1
0
3
4
8
-4
25
Vitórias combinadas de Libertad e Vasco nesta semana classificam automaticamente os dois times para a etapa seguinte da competição independente da última rodada. O Vasco, no entanto, não está em uma situação fácil. Os cariocas jogam as suas últimas duas partidas fora de casa e com grandes riscos de ter que decidir o seu futuro em uma partida contra o tradicional Nacional, tricampeão da Libertadores, em Montevidéu.
Jogos que faltam
Alianza x Vasco -03/04, às 22:00
Libertada x Nacional -05/03, às 20:15
Nacional x Vasco -12/04, às 21:50
Alianza x Libertad -12/04, às 21:50
Grupo 6
CLASSIFICAÇÃO
P
J
V
E
D
GP
GC
SG
%
1
Corinthians
8
4
2
2
0
4
1
3
66.7
2
Cruz Azul
7
4
2
1
1
6
2
4
58.3
3
Nacional-PAR
4
4
1
1
2
4
6
-2
33.3
4
Deportivo Táchira
2
4
0
2
2
3
8
-5
16.7
Detentora dos direitos de televisão em TV aberta para o Brasil, a Globo marcou todos os seis jogos do Corinthians para quartas-feiras às 21h50 (22h), visando transmiti-los para boa pare do Brasil. Nesse grupo, os paulista se classificam nesta rodada se vencerem ou empatarem com o Nacional paraguaio. O Cruz Azul, La Maquina Cementera, também se classifica se vencer sua partida e o Nacional paraguaio não superar o Corinthians.
Jogos que faltam
Táchira x Cruz Azul -03/04, às 22:00
Nacional x Corinthians -11/04, às 22:00
Corinthians x Táchira -11/04, às 21:50
 Cruz Azul x Nacional -11/04, às 21:50
Grupo 7
CLASSIFICAÇÃO P J V E D GP GC SG %
1
Vélez Sarsfield
9
4
3
0
1
7
3
4
75
2
Defensor
6
4
2
0
2
3
4
-1
50
3
Deportivo Quito
4
4
1
1
2
4
4
0
33.3
4
Chivas Guadalajara
4
4
1
1
2
2
5
-3
33.
Caso vençam seus confrontos na próxima semana, Vélez e Defensor já estarão classificados. Caso os uruguaios consigam ao menos empatar na altitude de Quito, bastará aos argentinos de Liniers manter a igualdade com os mexicanos na grama sintética do estádio Omnilife. Considerando a dificuldade dos próximos confrontos, ambos fora de casa, não podemos estranhar se o Defensor acabar fora da próxima fase.
Jogos que faltam
Deportivo Quito x Defensor – 10/04, às 17:30
Chivas Guadalajara x Vélez Sarsfield – 11/04 às 18:45
Deportivo Quito x Chivas Guadalajara – 17/04 às 21:15
Vélez Sarsfield x Defensor – 17/04 às 21:15
Grupo 8
CLASSIFICAÇÃO P J V E D GP GC SG %
1
Nacional de Medellín
8
4
2
2
0
12
6
6
66.7
2
Universidad de Chile
7
4
2
1
1
8
5
3
58.3
3
Godoy Cruz
5
4
1
2
1
8
11
-3
41.7
4
Peñarol
1
4
0
1
3
2
8
-6
8.3
Não pode passar em branco, aqui, a precoce eliminação do Peñarol, pentacampeão da América e finalista da última edição da maior competição de futebol do nosso continente. O Nacional de Medellin, um dos únicos invictos, juntamente com o Fluminense, se classifica se vencer os uruguaios na Colômbia. Esta é a mesma situação de La U, time que encantou o continente no ano passado com o futebol apresentado na campanha que o levou ao título da Copa Sul-Americana: caso vençam o Godoy Cruz em Mendoza também terão assegurada sua vaga nas oitavas de final. Se forem derrotados, os chilenos terão que vencer o difícil confronto com os colombianos em Santiago na última rodada, além de torcer para que os argentinos não vençam o Peñarol em Montevidéu.
Jogos que faltam
Godoy Cruz x Universidad de Chile – 04/04 às 19:30
Nacional de Medellin x Peñarol – 11/04 às 21:00
Universidad de Chile x Nacional de Medellin – 19/04 às 22:00
Peñarol x Godoy Cruz – 19/04 às 22:00
Sigamos libertando a América.
Abraços,
Daniel Machado
– com a colaboração de Marcio Santos

Deixe um comentário

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter

A hora e a vez de Celso Roth…

[Nota do editor: Para compensar a inatividade dos titulares deste blog, eis aí, às vésperas do JOGO DO ANO, mais uma colaboração de nosso amigo (apesar de gremista) Tom Madalena]

…se aproxima. Contratado pelo Inter para as semifinais da Libertadores da América, a impressão é que ele saiu do Grêmio ontem… na primeira fase de grupos da Libertadores 2009, para voltar agora, com tratamento vip na ante-sala da final de 2010. Sua contratação foi surpreendente. Não era um nome cogitado na imprensa. De certa forma, sua saída do Grêmio também foi uma surpresa. Afinal foi ele o responsável por montar um time vice-campeão do Brasil em 2008 (que só não ganhou o título, resguardado o mérito do São Paulo, por incompetência da direção, que manteve uma eleição no meio do campeonato e, sobretudo, precisando de um centroavante, trouxe Richard Morales que, aos 36 anos, estava se aposentando!) E saiu do Grêmio não porque perdia jogos na Libertadores e sim por causa de umas derrotas em Grenais, para um time que lhe era superior. Como continua sendo, diga-se a bem da verdade.

Então, chegou a hora e a vez de Celso Roth. A hora de sabermos se ele traz uma estrela escondida ou se é mesmo um azarado. A hipótese aqui é simples. Parte do pressuposto de que o Inter amassa o São Paulo e o Chivas ao Universidad do Chile.

Se tem estrela, ele ganha a Libertadores. Se é azarado, veremos o Internacional sendo o primeiro time da América a ir representar o continente no Mundial na condição de vice-campeão. Sim, pois no caso do Chivas campeão, ele leva o caneco, põe a faixa, mas não representa a América. Então vai o vice. Imaginem a cena final, Inter bi campeão do mundo e vice campeão da América. Algo surreal, mas que tem chances de acontecer. Se Celso Roth for azarado! Disso saberemos em breve.

Para terminar e não ficar em cima do muro… estou desconfiado de que (até para dar um tempero especial à rivalidade Grenal) o Inter vai ser bicampeão do mundo… e que os mexicanos vão tomar todas as Tequilas e quando acabar, bom eles vão começar a esvaziar as de Chivas 12 anos…

Torcer não é o caso, não é a palavra (só se aplica ao nosso time, no caso o Grêmio) mas espero que o Inter passe pelo São Paulo. E claro que em uma final contra a Inter de Milão também assisto o jogo com a expectativa que o da América vença. Por dois motivos, o primeiro a memória afetiva da minha mãe contente com o primeiro título brasileiro em 1975. Morávamos em São Paulo e a distância ajuda a ver a rivalidade de outra forma. Compartilhei da alegria dela. O segundo, é que do meu ponto de vista a rivalidade tem que servir para puxar para cima. O Grêmio que tome jeito e saiba montar times para ganhar títulos importantes.

P S. O leitor atento pode acusar o autor de falta de lógica. Afinal que azar é esse de se tornar bi-campeão do mundo? Vamos por partes. Primeiro, tratamos desse momento, a Libertadores. E claro que a sorte e o azar gostam de brincar com o tempo… É claro que no caso apresentado, um lance de azar se transforma em sorte mais à frente. Sorte do Internacional… e de Roth que, se estiver no comando, se revelará um azarado sortudo.

Antônio Madalena

Deixe um comentário

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter

Colorados de Palmas trazem Caçapava para o Gre-Nal

Cçapava era uma importante figura no Inter dos anos 1970

Cçapava era uma importante figura no Inter dos anos 1970

Além de acompanhar o Gre-Nal pelo Campeonato Brasileiro no próximo domingo com o tradicional churrasco na Adega do Cláudio, os torcedores do Internacional em Palmas prepararam uma outra atração para este clássico: a presença do ídolo da década de 70 Luís Carlos Melo Lopes, conhecido como Caçapava.

Volante do time bi-campeão nacional nos anos de 75 e 76, o ex-jogador mora, atualmente, no Piauí, onde trabalha numa escolinha de futebol.

Caçapava se destacava pela força física e grande poder de marcação. Num time que tinha jogadores de grande habilidade como Falcão, Carpeggiani e Batista, cabia ao volante o trabalho de proteger a defesa e anular as principais peças da equipe adversária. Numa de suas atuações mais memoráveis, praticamente anulou o craque Rivelino na semi-final do Brasileirão de 1975, em pleno Maracanã, sendo um dos responsáveis pela impressionante vitória de 2 a 0 sobre uma equipe do Fluminense que era singelamente conhecida como “Máquina Tricolor”.

Falcão e Caçapava, técnica e força no meio-campo colorado

Falcão e Caçapava, técnica e força no meio-campo colorado

Conhecido por sua disposição e bom humor, o ex-jogador protagonizou alguns episódios folclóricos no futebol brasileiro, dentre os quais podemos destacar a ocasião em que tentou convencer o médico do colorado a não realizar uma operação no seu joelho direito. “Doutor, se eu chutar a bola com a direita, o menisco tem que doer? Eu não sinto nada!”, indagou. Contrariado pela resposta afirmativa do médico, que confirmava o aparecimento da lesão no exame de artroscopia, Caçapava retrucou: “Então esse joelho aí não é o meu!”.

A vinda deste grande ídolo do passado só foi possível pela união dos integrantes do Consulado Colorado de Palmas, que fizeram uma campanha para arrecadar recursos para a compra das passagens e conseguiram um lugar para a estada deste personagem fundamental na história do Clube do Povo.

Mesmo com a campanha vacilante do Internacional no segundo turno, a expectativa é que Adega do Cláudio mais uma vez esteja lotada de colorados para acompanhar o clássico. Conforme o idealizador de Caçapava a Palmas, nosso comparsa no Golpe de Cabeça, Anderson Fonseca, em um Gre-Nal a má fase técnica fica de lado e prevalece a rivalidade, o que pode iniciar uma retomada do campeonato por parte do time vencedor. “E claro que esperamos que o vencedor seja o Inter, que joga em casa, inclusive!”, ressalta.

O churrasco de domingo ocorrerá a partir das 12 horas, com o valor de R$ 30,00 por pessoa. O jogo começa às 15 horas. O Inter hoje é o terceiro colocado no campeonato nacional, com 49 pontos, enquanto o Grêmio é o oitavo, com 44 pontos.

Abraços,
Daniel Machado, Marcio Santos e Anderson Fonseca

Deixe um comentário

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter

O gol que ganhei de aniversário

Antes de qualquer coisa, quero que todos saibam que a história que será relatada aqui é absolutamente verdadeira, sem nenhum acréscimo a título de “licença poética”. Pois bem, a última quarta-feira me reservou uma daquelas emoções que serve para reafirmar o futebol não apenas como o mais sensacional dos esportes, mas também como uma das maiores criações da humanidade. Exagerado, eu? Para alguns, talvez, mas creio que aqueles que realmente incorporam o espírito de torcedor sabem do que estou falando.

20 de maio, feriado na capital tocantinense. Um dia após meu aniversário oficial, junto alguns amigos para um churrasco, que se prolonga por boa parte da tarde. À noite, o tão esperado jogo de volta das quartas-de-final da Copa do Brasil, entre Inter e Flamengo. O local onde o assistiríamos não poderia ser outro que não a Adega do Cláudio, reduto de gaúchos e colorados aqui em Palmas. Não restavam dúvidas de que as dificuldades seriam grandes, apesar de alguns breves devaneios envolvendo goleadas históricas e acachapantes. Ainda assim, as coisas foram BEM piores do que podíamos imaginar! Os cariocas marcavam implacavelmente, enquanto o time colorado não atacava com todo o ímpeto que os 48 mil abnegados presentes no Beira-Rio e os outros tantos espalhados mundo afora esperavam. A bobeada de Juan e a impressionante velocidade de Nilmar e Taison garantiram nosso primeiro gol, mas a qualidade de Kléberson e Ibson encaminhou o empate rubro-negro, justamente no momento em que nosso time parecia mais próximo de ampliar o marcador. O tempo passava, o convívio com os flamenguistas que, por motivos desconhecidos, optaram por ver o jogo em nosso TERRITÓRIO se tornava quase insuportável. É complicado torcer para um time de fora do EIXO, morando na região norte do Brasil – o surgimento de “torcedores não-praticantes” destes times, nos momentos decisivos das competições, merece uma reflexão à parte, que ainda será feita. Seja como for, aos 43 minutos, Glaydson sofreu aquela falta, nas proximidades da grande área…

A partir daí, a noite tornou-se MÍTICA. Meu irmão Cristiano ligou, de dentro do caldeirão vermelho, cujo rugido podia ser ouvido sem parar na transmissão televisiva. Sem mais delongas, ele falou: “É agora, vai ser agora!”. Eu concordei, e ele pediu que eu não desligasse. Foram poucos segundos, mas pareciam horas. D’Alessandro ou Andrezinho, quem vai assumir a responsabilidade num momento desses? Então, o tempo parou. Pelo celular, escutei gritos de uma vibração enlouquecida. Um segundo depois, talvez dois, a imagem confirmou: a bola passou por cima da barreira e entrou, próxima ao canto direito da meta defendida por Bruno. Muita vibração, xingamentos e quase que chegamos às “vias de fato” com uns flamenguistas abusados que não aceitaram receber GOZAÇÕES. A classificação era nossa, com certeza. Após os minutos finais nos quais Guiñazu provou mais uma vez ser sobre-humano, eu e o Cristiano conseguimos nos falar de novo. “Tu é foda mesmo, seu profeta!”, eu gritei. Foi neste momento em que ele me lembrou da conversa que havíamos tido na véspera, quando ele ligou para me parabenizar pela chegada dos meus VINTE E TODOS: eu disse que o único presente que queria era a vitória contra o Flamengo, e se ele pudesse ajudar nisso, seria perfeito. Pois então, promessa feita, promessa cumprida: fiquem sabendo, todos os que aguentaram chegar até aqui, que o gol foi metade do Andrezinho, metade do Cristiano! Aquele tinha sido meu presente de aniversário, ora!

Está provada, mais uma vez, a conexão que só o Inter é capaz de me proporcionar, demonstrando que 3000km de distância não são absolutamente nada quando o assunto é a PAIXÃO COLORADA.

Abraços,
Marcio Santos

1 comentário

Arquivado em Futebol, Inter

Inter, a minha vida

O Internacional é a minha vida e, graças ao clube, sou o que sou hoje. Pode parecer exagero, mas tenho a convicção de que não é.  Para contar essa história, tenho que retornar ao tempo de criança. Pouca alegria e muitos problemas. Naquela época, acompanhar os tristes anos 90 do time servia como um dos escapes para ter uma vida melhor. A grande maioria dos jogos eu ouvia no rádio.

Desse tempo, nasceu a minha vontade de virar narrador. Aquela voz de Haroldo de Souza, com o famoso, e raro, “adivinhe” (os gols importantes, infelizmente, aconteciam de forma escassa). A fase era tão ruim e fraca que os colorados, como eu, precisavam ficar se agarrando num único gol de fase classificatória pelo resto do ano.

Teve ano, que em pleno Natal, ouvi o especial da Guaíba no rádio só para poder escutar um simples gol de Arílson, pela Copa do Brasil (interessante que hoje prefiro o narrador da rádio Gaúcha, Pedro Ernesto Denardin).

Do desejo de ser narrador, veio a vontade de ser jornalista. Algo totalmente diferente para mim, pois precisa de conhecimento em língua portuguesa, e eu era bom em matemática. Quem me conhece hoje, obviamente, não consegue nem imaginar outra profissão para o Daniel que não o jornalismo.

Com o Inter, mesmo nos tempos mais difíceis, fui criando referências na vida. As datas eram lembradas pelas partidas do clube. Os jogos do time, em especial pelo Campeonato Brasileiro, foram acompanhados quase que sempre – mas sempre mesmo! No rádio, ou na TV. Se necessário, caminhava ao outro lado de Bagé para ir a um restaurante que tinha PPV.

Não interessava a hora ou o adversário. Todos os compromissos existentes, sair com os amigos, uma eventual paquera, uma diversão, uma festa, um aniversário, um encontro familiar ou qualquer outra coisa, passavam a ser secundários e, desta forma, acabavam invariavelmente preteridos pela partida do Internacional.

Para isso, não interessava se o adversário era o poderoso São Paulo ou o modesto Gama de Brasília. Jogo do Inter, isso, sim, é o mais importante. Não posso esquecer, aqui, do meu amigo Rodrigo. Ele foi companheiro em muitas dessas batalhas para ver o Inter.

Tocantins
No segundo semestre de 2005 vim para o Tocantins. A minha vida mudou completamente. Primeiro, conheci Palmas, onde fiquei uma semana e meia. Depois, fui para Taguatinga. Em ambos os locais, providências essenciais para acompanhar o Inter: visita a cyber, a bares com solicitações para colocar no SporTV e até a compra de um rádio que foi usado em Goiás 0 X 1 Inter, escutado em uma rádio goiana.

Depois, foi providenciada a assinatura da SKY. Porém, aquele ano acabou com o lamentável roubo do nosso campeonato brasileiro. O jogo contra o Corinthians foi uma das maiores sacanagens e tristezas. O futebol ficava manchado.

Em 2006, vim para Palmas. Estudar e trabalhar. Nessa capital, do sol interminável, conheci duas pessoas extraordinárias, cada um na sua forma: o Márcio e o Anderson. A Libertadores foi fantástica, os adversários derrubados, um a um, pelo glorioso Internacional.

Um dia após a Conquista da América; Eu em Porto Alegre

Um dia após a Conquista da América; Eu em Porto Alegre

Contra a LDU, em jogo espetacular no Beira Rio, fiquei realmente amigo do Márcio. Quem o conhece, sabe que isso é uma conquista eterna. O Márcio, inclusive, me ajudou a ir à final da Libertadores. Graças a ele, vi, com os meus olhos, e na Popular, o Inter tornar-se o campeão da América.

Depois, durante as semanas de semifinal e final de mundial, eu e o Anderson também nos tornamos mais amigos. Com certeza, outra pessoa fantástica, companheira e prestativa. Naquela semana, inclusive, tomei a decisão de largar um emprego para ver o Inter junto com os amigos. Não era a final, contra o poderoso Barcelona, mas sim a semifinal contra Al Alhy, do Egito. Mas, hoje, não é dia para essa história.

Em 2007, conheci a mulher que hoje é a minha esposa e será mãe do meu filho. Tenho a certeza absoluta que se não fosse o Inter, isso não ocorreria. Não agüentaria os dias de depressão, tristeza e, sobretudo, muito calor em Palmas.
O Inter me deu razão para continuar em frente, me ajudou a escolher o jornalismo, me deu amigos maravilhosos e me tornou um marido. Agora, está prestes a me tornar pai. Certamente, virá mais um colorado para o mundo.

Obrigado por tudo Inter!

Abraços,
Daniel Machado

2 Comentários

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter

Obrigado, Inter

Em porto Alegre, comemorando o Mundial com a família e os amigos

Em Porto Alegre, comemorando o Mundial com a família e os amigos

Acho que sou colorado desde que conheço por gente. Em algum álbum antigo, lá em Porto Alegre, há uma foto minha, bem piá, vestindo o manto rubro. Sinal de que, sem qualquer dúvida, minha família estava me doutrinando corretamente. Defendo a existência de amplas liberdades de escolha para as pessoas, que devem decidir o que vão fazer de suas vidas em questões que vão desde preferências sexuais até aborto, passando por trabalho, estudos e relacionamentos interpessoais de todo tipo. Só que, quando o assunto é futebol, sou radical e anti-democrático: acho que os pais, familiares e amigos bem intencionados devem fazer tudo o que for possível para evitar que o mal recaia sobre a criança. Sim, é preciso ensinar e, se necessário, impor o conhecimento sobre a beleza da história e dos significados contidos naquela camisa vermelha!

Cresci num momento muito difícil para o coloradismo. Nasci exatamente um ano após o título brasileiro invicto, e, quando comecei a efetivamente ter consciência do mundo do futebol, tive apenas a Copa do Brasil de 1992 como alento num período de intensos sofrimentos. Foi doloroso demais, futebolisticamente, viver a década de 1990 e as diversas conquistas do co-irmão, que levaram muitos colegas, crianças e adolescentes, para o lado azul da força. Mas, por mais clichê que seja dizer isso, jamais deixei de acreditar. Aprendi bastante sobre a história daquele clube, sobre a força de sua fanática e enlouquecida torcida, contando para isso com muitas leituras e, especialmente, com as histórias contadas pela minha mãe e pelo meu avô. Em 1997, a conquista do Gauchão em cima daquele time do Grêmio que ainda mantinha a base que havia vencido a Libertadores dois anos antes foi muito emblemática para mim. O gol de Fabiano no Beira-Rio foi o estopim de uma festa linda e comovente, mostrando o quanto aquela brava massa vermelha amava e se orgulhava do seu clube. Jamais esquecerei que, naquela noite, disse para um amigo que, se a comemoração de um título regional já era daquele jeito, podíamos imaginar a loucura que tomaria conta da cidade, do RS e de muitas partes do Brasil no dia em que fôssemos campeões do mundo. O Mundial, um sonho tão, tão distante.

Em 1999, outro momento marcante, para o bem e para o mal, foi o jogo contra o Palmeiras, onde a vitória era obrigação, para evitarmos o temido rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Mais uma vez, a mobilização dos sofridos torcedores e a explosão com o gol de Dunga próximo do final da partida só fizeram aumentar meu amor por este clube, mesmo num contexto tão adverso. Era realmente doloroso ver o time do coração naquela situação, mas no fundo eu queria acreditar que não seria assim para sempre.

E realmente não foi…

No começo de 2005 minha vida mudou radicalmente: passei num concurso público federal e, por obra do acaso ou do destino, vim parar no Tocantins. Pela primeira vez estaria realmente longe da minha família, da minha cidade-natal e do Inter. Quase 3000km, que não diminuíram em nada essa paixão. Muito pelo contrário: tenho certeza que, longe do lugar que ainda chamo de casa, meu fanatismo pelo Colorado aumentou, talvez exponencialmente. O Brasileirão de 2005 foi um passo adiante na reconstrução que o mestre Fernando Carvalho havia iniciado em 2002: o time era forte, aguerrido, não temia ninguém e, definitivamente, só não foi campeão por causa da famigerada anulação de jogos, que nos tirou a liderança da noite para o dia. As vitórias do Inter, celebradas na Adega do Cláudio, sem dúvida eram momentos de grande alegria em períodos nos quais eu quase cheguei a acreditar que não conseguiria lidar com os traumas dessa mudança geográfica tão radical. Por outro lado, a anulação que descaradamente beneficiou o Corinthians (desde então o segundo clube que mais desprezo no futebol brasileiro) quase me levou a uma depressão profunda. O Inter é, sem dúvidas, juntamente com minha família, o maior vínculo que possuo com o Rio Grande do Sul, além de ser o responsável por duas das maiores amizades que fiz aqui em Palmas. Foi no meio de jogos do Colorado, que podiam ser tanto contra o São Paulo quanto contra o poderoso São Luís de Ijuí, que me tornei amigo do Anderson e do Daniel.

Se 2005 não acabou exatamente como queríamos, 2006 nos fez acreditar que há algum tipo de justiça divina (ou poética) neste mundo. A Libertadores e o Mundial foram a redenção definitiva, um prêmio mais do que merecido para os colorados da minha geração. Estive em Porto Alegre nos inesquecíveis 16 de agosto e 17 de dezembro de 2006, dias que celebrarei por toda a vida. Tudo fez sentido, de tal forma que o sofrimento dos anos 90 tornou estas vitórias ainda mais celebradas e saborosas.

Então, neste dia 04 de abril de 2009, no qual o GIGANTE Sport Club Internacional completa seu primeiro centenário, eu não quero dar apenas parabéns. Muito mais do que isso, eu preciso AGRADECER a este clube, pelo simples fato dele existir e contribuir para dar sentido à minha própria existência. INTER, tu és parte da minha identidade, tu és um elo com a terra onde nasci, capaz de tornar qualquer distância superável, tu és responsável por alguns dos melhores momentos da minha vida, os quais tive o privilégio de vivenciar juntamente dos meus amigos e dos meus familiares.

Obrigado, Inter.

Com o grande amigo Júlio e os troféus mais importantes que existem

Com o grande amigo Júlio e os troféus mais importantes que existem

Daniel, Marcio e Anderson, titulares do Golpe de Cabeça

Daniel, Marcio e Anderson, titulares do Golpe de Cabeça

Abraços,
Marcio Santos

5 Comentários

Arquivado em Esportes, Futebol, Inter