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Acidente aéreo e a reflexão

Sempre que há um trágico acidente aéreo a comoção é geral. Os meios de comunicação fazem cobertura ampla do acidente, as autoridades são insistentemente cobradas e a preocupação com os familiares das vítimas é geral, passando do governo até o mais simples telespectador que nunca andou de avião.

Nada mais justo, afinal trata-se de uma fatalidade na qual morre um elevado número de pessoas. Por exemplo, no voo 447, que ia do Rio de janeiro a Parir e desapareceu na madrugada de domingo (com alguns destroços encontrados no Oceano Atlântico), haviam 228 pessoas. Lamentavelmente, não deve haver nem um sobrevivente.

Porém, o que gostaria de deixar para debate é porque os acidentes em estradas, mesmo quando dois ônibus batem e morrem muitas pessoas, não merecem cobertura pelo menos um pouco parecida? Não tem a mesma divulgação por parte dos meios de comunicação? Não tem a mesa preocupação com os familiares? Com o pagamento dos seguros? Com a vida das pessoas que perderam seus entes queridos?

Com certeza, essa é uma questão para refletir.

Como expressei no post O Peso de uma vida, do dia 6 de fevereiro de deste ano, uma vida pode valer muito pouco nas mãos de outras pessoas.

Talvez isso explique tamanha disparidade na comoção.

Abraços,
Daniel Machado

*O autor do post é jornalista é trabalha para um órgão de comunicação

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Mais sacanagem no Senado!

Todos os dias os nomes aparecem.

Todos os dias uma nova sacanagem.

O Brasil é um país absurdo. Muita impunidade As coisas aparecem todos os dias e os nomes estão aí. A corrupção faz parte do sistema. O filme “Tropa de Elite”, de José Padilha, sucesso de público e crítica confirma o que estou dizendo.

Reportagem da Folha de S. Paulo de hoje mostra que o Senado pagou pelo menos R$ 6,2 milhões em horas extras para funcionários que teriam prestado serviço em janeiro – mês em que a Casa estava em recesso e quando não houve sessões, reuniões e nenhuma atividade parlamentar.

Desta vez, a explicação oficial é um completo absurdo. Coisa que, se a gente não levasse em conta que é com o nosso dinheiro, poderíamos rir por quase toda a vida.

O Senado justificou que 3.883 servidores trabalharam além do expediente normal em janeiro para preparar uma única sessão, que ocorreu no dia 2 de fevereiro.

O Senado tem 6.570 servidores entre comissionados e efetivos.

Desta forma, o Senado sustenta que foram necessários os trabalhos, extras, de 3.883 servidores para preparar uma sessão.

Os responsáveis
O ex-secretário da Mesa Diretora senador Efraim Morais (DEM-PB) foi quem assinou a autorização do pagamento. Agacial Maia, até então diretor-geral do Senado, emitiu os documentos para confirmarem os pagamentos.

Abraços,
Daniel Machado

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BBB e Sociedade do Espetáculo

O post do amigo Daniel sobre o Big Brother me levou a uma pequena reflexão sobre o assunto. Tenho o entendimento de que o sucesso do dito programa de TV nada mais é que uma espécie de reflexo de algumas características do modelo de sociedade no qual atualmente vivemos. Talvez eu esteja sendo excessivamente demodé ou até mesmo simplista, mas lembrei-me imediatamente de uma obra do francês Guy Debord, lançada em 1967, singelamente denominada A Sociedade do Espetáculo (disponível na íntegra aqui). Para esclarecer do que trata o livro, faço uso de um trecho da introdução escrita por Anselm Jappe:

O “espetáculo” de que fala Debord vai muito além da onipresença dos meios de comunicação de massa, que representam somente o seu aspecto mais visível e mais superficial. Em 221 brilhantes teses de concisão aforística e com múltiplas alusões ocultas a autores conhecidos, Debord explica que o espetáculo é uma forma de sociedade em que a vida real é pobre e fragmentária, e os indivíduos são obrigados a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real.

Têm de olhar para outros (estrelas, homens políticos etc.) que vivem em seu lugar. A realidade torna-se uma imagem, e as imagens tornam-se realidade; a unidade que falta à vida, recupera-se no plano da imagem. Enquanto a primeira fase do domínio da economia sobre a vida caracterizava-se pela notória degradação do ser em ter, no espetáculo chegou-se ao reinado soberano do aparecer. As relações entre os homens já não são mediadas apenas pelas coisas, como no fetichismo da mercadoria de que Marx falou, mas diretamente pelas imagens.

Creio que, tomando por base tais idéias, podemos compreender um pouco melhor o sucesso do BBB. Vejamos: tratam-se de situações, interações e conflitos aparentemente próximos daqueles vivenciados pelas “pessoas comuns” no cotidiano, todavia “interpretados” por sujeitos cuidadosamente selecionados para “representar” aqueles que estão assistindo (inclusive correspondendo a uma série de expectativas em torno de padrões de beleza corporal) e difundidos através de uma cuidadosa e caprichada edição, capaz de tornar até mesmo o fato mais “banal” interessante. Além disso, não podemos esquecer que a edição usa “técnicas novelescas” para prender a atenção do espectador: as imagens são trabalhadas de tal forma que logo identificamos “heróis”, “vilões”, “loucos” e todos aqueles papéis estereotipados com os quais já estamos habituados.

Indo um pouco mais além, acho importante nos darmos conta de que esse processo de “espetacularização” é bem mais profundo, definitivamente transcendendo em muito o BBB. Apenas para ficarmos num exemplo, basta lembrarmos da recente polêmica sobre a gravação do programa Survivor, da rede norte-americana CBS, na região do Jalapão, aqui no Tocantins. Rapidamente começaram a circular pela rede emails questionando supostas “ameaças à soberania nacional” e “depredações do nosso meio-ambiente”, refletindo sentimentos nacionalistas e anti-americanos dos brasileiros. Tudo isto, é claro, sem mencionar que tal projeto foi licenciado e aprovado pelo órgão ambiental do Governo do Estado, o qual deveria ser responsabilizado caso algo de errado fosse constatado. Entretanto, não é este o ponto que pretendo destacar: o que mais choca, na minha opinião, é perceber quea gravação de um reality-show, cujos impactos são relativamente pequenos, ou, ao menos, em sua maioria reversíveis, cause essa celeuma toda na dita “opinião pública”, enquanto os inúmeros projetos de irrigação e as gigantescas plantações de soja que são executados sem qualquer respeito ao meio-ambiente (na maior parte das vezes com MUITA grana dos tais estrangeiros, também) não tem um quinto dessa repercussão, e ainda são vistos, genericamente, como sinais de “progresso”.

Tipico intelectual francês dos anos 60!

Típico intelectual francês dos anos 60!

Abraços,
Marcio Santos

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Big Brother, por que faz sucesso?

Um programa de televisão onde várias pessoas ficam confinadas em uma casa. Semana após semana, um é eliminado pelo telespectador. O último que ficar fatura R$ 1 milhão. Soma-se a isso uma excelente produção da Globo, ótimos efeitos sonoros e bastante interatividade. Está aí a fórmula de sucesso do BBB (Big Brother Brasil), programa que existe em vários países do mundo com outros nomes.

Criação de uma empresa holandesa, o programa é líder de audiência no Brasil desde a sua criação. Já se vão nove edições e, embora a audiência venha caindo, ainda lidera no seu horário de forma disparada. Além disso, o programa tem cifras de faturamento extraordinárias. Este ano, por exemplo, a projeção é de R$ 110 milhões.

Logotipo do programa que já está na nona edição

Logotipo do programa que já está na nona edição

Eu não gosto. Rejeito o programa e pouco o assisto, embora acabe sempre lendo algumas novidades na internet. Por incrível que pareça, as banalidades do BBB, as intrigas e o culto ao sexo sempre são as matérias mais lidas dos portais de notícias, como a Folha Online (edição online da Folha de S. Paulo).

É incrível a capacidade do ser humano para ver, verificar, conferir e comentar as intrigas de pessoas que nunca viu. Com uma ou duas semanas, os integrantes da casa passam a ser celebridade para quem assiste e, quanto mais tempo permanecem, mais famosos vão ficando, mesmo sem nunca ter feito nada de útil na vida. Na verdade, essas pessoas confinadas apenas repetem o que acontece no dia-a-dia das nossas casas, nossos empregos e nossas vidas. Os conflitos, claro, são intensificados pela ganância do ser humano, afinal quem não gostaria de ganhar R$ 1 milhão?

As pessoas, infelizmente a maioria, inclusive universitários, profissionais com alta formação, sabem muito mais do “super educativo programa BBB” do que da grave crise econômica e financeira que afeta o mundo. Um absurdo, mas talvez um absurdo que retrate o quanto o ser humano gosta de intrigas.

Alias, nesse momento, também estou contribuindo para isso, escrevendo sobre esse tão “estimado programa”.

Abraços,
Daniel Machado

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