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Memórias da Gringolândia (parte 1)

Como alguns de vocês, nossos 12 leitores, sabem, entre os dias 21 de fevereiro e 14 de março estive nos Estados Unidos da América, naquela que foi a maior viagem internacional da minha vida (espero que futuramente aconteçam outras!). Nesse período, fiquei a maior parte do tempo em Nova York, mas também fiz algumas rápidas visitas a Boston, Philadelphia e Washington DC. Após intensa pressão de meus colegas editores do blog, finalmente iniciarei uma série de posts com algumas impressões e relatos dessa experiência, que, adianto desde já, valeu muito a pena. Não vou ter grandes preocupações cronológicas, pois a idéia é simplesmente ir escrevendo sobre coisas que achei interessantes (para o bem e para o mal) conforme elas vierem à cabeça.

Capítulo 1: Arenas esportivas

Nesta viagem consegui realizar um dos meus maiores sonhos de adolescência: assistir a um jogo da liga de basquete norte-americana, a famosa NBA. No fim das contas, acabei tendo tanta sorte que, além de New York Knicks x Orlando Magic, cujo ingresso eu tinha comprado pela internet aqui mesmo no Brasil, consegui ver o atual campeão Boston Celtics enfrentando o Indiana Pacers em seus domínios, pois o hostel (albergue) no qual fiquei por lá de alguma forma vendia tickets para este jogo. Para tornar as coisas ainda melhores, por apenas 12 dólares!

Todavia, meu objetivo neste post nem é falar dos jogos em si, mas sim dos locais onde eles aconteceram: o mítico Madison Square Garden, em NY, e o TD Banknorth Garden, em Boston. Quando comparamos estes espaços com os estádios e ginásios que temos em nosso país, a diferença é brutal.

O mítico Madison Square Garden, construído em cima da Penn Station

O mítico Madison Square Garden, construído em cima da Penn Station

Para começar, o acesso: ambos estão localizados EM CIMA de estações de metrô, de tal forma que o acesso a esta modalidade de transporte público é uma barbada. Além disso, táxis e ônibus não têm muitas dificuldades de chegar nos arredores. Se, ainda assim, o sujeito preferir ir com seu carro próprio, obviamente há estacionamentos disponíveis, mas eles não são nada baratos: pelo que lembro, na faixa de 20 dólares a noite em Boston e 30 em NY.

Vale lembrar que há diversas formas de se comprar ingressos: por telefone, internet, na bilheteria do próprio ginásio… Nada que já não esteja ocorrendo em estádios e clubes mais organizados no Brasil, como é o caso do Beira-Rio, em Porto Alegre. Contudo, a entrada no local é incomparavelmente fácil e rápida: após uma rápida revista/inspeção de segurança, é uma barbada dirigir-se a um dos trocentos portões de acesso, que, bastando seguir as indicações, certamente deixarão você próximo do assento assinalado em seu bilhete. Locais marcados? Sim, lá isso funciona, e muito bem! Tanto que, num jogo agendado para as 19:30, como é o caso da maioria na NBA, chegando às 19:00 a gente encontra o ginásio praticamente vazio. Quase todo mundo chega em cima da hora, alguns até mesmo após o início da partida, sabendo que seu assento estará disponível. Há, inclusive, pessoas que sentam há décadas no mesmo local, adquirindo “season tickets” ano após ano e acompanhando os altos e baixos da equipe. Os preços, em NY, variam de 10 a mais de 3000 dólares, mas o fato é que, mesmo nos assentos mais baratos é possível enxergar bem o que está acontecendo na quadra, obviamente havendo alguma diferença nos níveis de “imersão” na partida. Em Boston fiquei num dos locais mais baratos, atrás de uma das tabelas, e nem por isso deixei de aproveitar a partida, vendo com clareza todas as (belas) jogadas. Se, ainda assim, o espectador perde algum lance, basta olhar para o telão, em altíssima definição, que está constantemente mostrando replays dos principais lances, além de transmitir a partida propriamente dita.

Placar eletrônico e telão com altíssima definição de imagem

Placar eletrônico e telão com altíssima definição de imagem

Este mesmo telão, por sinal, é fundamental para outro aspecto importante do evento: a interação com a platéia. Além de promoções e sorteios em praticamente todos os intervalos (que são vários, num jogo de basquete, onde há diversos pedidos de tempo por parte dos treinadores), há vídeos motivando a torcida a cantar, berrar e fazer mais barulho em momentos importantes e decisivos da partida. Juntando as imagens com o som ambiente e suas músicas empolgantes, o negócio realmente funciona! Enfim, por mais clichê que seja dizer isso, não é mesmo apenas um jogo de basquete, mas verdadeiramente um espetáculo de entretenimento.

Bobo alegre antes de jogo dos Celtics

Bobo alegre antes de jogo dos Celtics

Não posso deixar de ressaltar algumas coisas que chamam muito a atenção de um brasileiro infelizmente acostumado com o medo e a violência em estádios de futebol: há alguns poucos torcedores do time adversário, mas nenhuma manifestação de animosidade para com eles, muito menos necessidade de separação entre as torcidas; mulheres e crianças em grande número na platéia; com vitória ou derrota, a saída do ginásio é tranquilíssima, sendo muito fácil voltar para casa usando o transporte coletivo, sem “arrastões” ou correrias.

Por fim, cabe lembrar que, efetivamente, os locais são bem mais do que ginásios, pois, além de jogos de basquete, hockey e futebol americano indoor (!), são palcos de shows e, até mesmo, grandes convenções partidárias. Ou seja, se enquadram perfeitamente no conceito de “arenas multiuso” tão em voga atualmente no Brasil.

Abraços,
Marcio Santos

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