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Feliz Natal e um Ótimo Ano Novo!!!

Caros amigos:

Como tradicionalmente faço, neste fim de ano me dirijo a vocês com a intenção de agradecer pelo papel que cada um, mesmo que não saiba, desempenha em minha vida. Se muitos fazem parte do meu cotidiano, seja como amigos, seja como colegas de trabalho (mais frequentemente como ambas as coisas simultaneamente), com tantos outros eu convivo muito menos do que gostaria. Seja como for, reafirmo a importância de todos, pelo que me ensinaram, pelo que me deixaram ensinar, pelo carinho que me deram e pelo carinho que me possibilitaram dar. Não há dúvidas de que são estes momentos que vivemos juntos que me tornaram o homem que sou hoje, com todos seus possíveis “defeitos” e “qualidades”. Podem ter certeza que as “qualidades” devo muito a vocês, enquanto os “defeitos” são de minha (quase) inteira responsabilidade!

Em meio a inúmeros desafios, posso concluir que 2010 foi um ano de muitas e excelentes conquistas. Todavia, parafraseando Walter Franco, a maior de todas é, sem dúvida, conseguir entrar nas portas de 2011 com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Que estes momentos de reflexão nos levem a aprender com as vicissitudes do caminho que nos trouxe até aqui, e nos motivem a continuar lutando com ainda mais afinco por nossos sonhos e ideais.

Na falta de melhores palavras, lhes deixo com a maravilhosa interpretação de Mercedes Sosa da canção Gracias a la vida:

FELIZ NATAL E UM ÓTIMO ANO NOVO!

Abraços e beijos,
Marcio

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Por que votarei em Dilma Rousseff

Eis que, neste contexto de ânimos acirrados que vem caracterizando a atual disputa pela cadeira de presidente do Brasil, resolvi que é hora de declarar publicamente meu voto. Aqueles que me conhecem minimamente já sabem detalhes sobre muitas de minhas opiniões e posicionamentos, porém creio que, ainda assim, é interessante deixar bem claros os porquês de minhas escolhas. Tomo esta atitude sem o conhecimento dos meus companheiros de blog, os quais, evidentemente, terão todo o direito de expor e justificar suas opiniões, neste mesmo espaço.

Sem mais delongas, já aviso que votarei na candidata Dilma Rousseff, do PT. Antes de apresentar as motivações da minha opção, vou refutar alguns dos argumentos utilizados para considerar “absurda” esta escolha.

Muitos dizem que não votarão em Dilma porque estariam, assim, garantindo a expulsão de uma certa “corja” que teria dominado a administração pública brasileira. Este fato, que certamente tem elementos de verdade, não pode obscurecer a constatação de que a “era FHC” em nada ficou devendo à “era Lula”, em termos de “escândalos”. Para quem não lembra de coisinhas como SIVAM, Sudam, suspeitas de propina nos processos de privatização e fortes acusações de compras de votos para aprovação da emenda da reeleição, sugiro a leitura deste “apanhado”, para refrescar a memória: “45 escândalos que marcaram o governo FHC”. Me parece bastante difícil quantificar os desmandos e as falcatruas possíveis e/ou confirmadas, qualificando, peremptoriamente, um dos grupos políticos como mais “ético” ou “íntegro” do que o outro. Trata-se, em suma, de um tenebroso problema estrutural de certas instituições brasileiras, que demanda, no mínimo, uma profunda reforma política para que seja efetivamente solucionado. Enquanto isso não acontece, a única e legítima alternativa para quem pretende ter um voto realmente “moralista” e “moralizador” seria a opção pelo branco ou pelo nulo… Em outro sentido, pode-se criticar Lula o quanto for possível e necessário, mas é inegável que instituições como a Polícia Federal e, num certo sentido, o próprio Ministério Público Federal, tiveram muito mais autonomia para atuar do que no governo anterior. Sobre a atuação da PF, cabe conferir este levantamento, feito pelo insuspeito jornal Estado de S. Paulo, com dados de 2003 a 2008. Interessante destacar, também, que a cobertura midiática, sempre fundamental numa sociedade democrática, tende claramente a um certo favorecimento dos tucanos, talvez em virtude de alguns contratos que seus governos fazem beneficiando grandes revistas, jornais e editoras (ver esta análise do NaMaria News). Trocando em miúdos: quando o assunto é a tal “moralidade pública”, a discussão é tremendamente hipócrita, pois estamos falando de um debate em que o roto fala mal do esfarrapado…

Outro ponto justamente destacado nas críticas direcionadas à candidata governista diz respeito às alianças com figuras como Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros, verdadeiros coronéis que representam o que há de mais atrasado na política nacional. Pois bem, amigos, isto é terrível mesmo, mas lhes digo, sem pestanejar: se Serra ganhar FATALMENTE se aliará com estes mesmos sujeitos, assim como FHC o fez durante seu governo. Isto se deve pura e simplesmente às características do atual regime político-institucional brasileiro, que os sociólogos e cientistas políticos chamam “presidencialismo de coalizão” – a leitura é mais do que obrigatória para quem quer entender melhor a urgência de uma verdadeira reforma política neste país. Evidente que eu gostaria de ter um governo que prescindisse destes sujeitos, mas, além de ter a certeza que, no dia seguinte a uma eventual vitória nas urnas, Serra teria que, no mínimo, começar a negociar com tais próceres do PMDB, não creio que elementos como Roberto Jefferson, Joaquim Roriz, José Roberto Arruda, Yeda Crusius, Orestes Quércia, Jorge Bornhausen, César Maia e Kátia Abreu sejam exemplos de progressismo e pureza ideológica.

Trocando em miúdos, de novo: postura ética e alianças bizarras podem até ser motivos para te fazer não votar em nenhum dos candidatos, mas daí a achar que um é mais “puro” do que o outro, neste sentido, a coisa fica bem mais complicada…

Ainda pensando em possíveis questionamentos à minha escolha, sei que alguns dirão que a eleição atual não é entre Lula e FHC, mas sim entre Dilma e Serra. Isto é mais do que óbvio, porém acredito que tão evidente quanto esta constatação seja o fato de que, sobretudo em eleições presidenciais, não estamos escolhendo pura e simplesmente um indivíduo, o governante, mas sim optando entre projetos de país. Assim, por mais que PT e PSDB tenham apresentado algumas semelhanças na condução de certas questões, considero que há uma série de pontos que os diferenciam, e são justamente estes que me fazem considerar a continuidade do atual projeto a melhor opção para o Brasil.

Ressalto, desde já, que os aspectos que destacarei aqui relacionam-se intimamente com meu trabalho, minha trajetória de vida e minhas convicções pessoais. Não considero, porém, que isto seja um ponto que sequer possa ser cogitado para desqualificar minha análise…

Passei longos anos da minha vida dentro de uma universidade federal (a UFRGS), e lembro detalhadamente como era a realidade do ensino superior público ao longo do governo FHC. Entre 1998 e 2002, período em que cursei a graduação em Ciências Sociais, os salários dos professores permaneceram praticamente congelados e, muito pior do que isso, havia uma notória defasagem na quantidade de docentes. Não era incomum que um professor se aposentasse e nem sequer fosse autorizada a realização de concurso público para repor a sua vaga. Professores substitutos, ainda em processo de formação e tremendamente mal remunerados, assumiam disciplinas fundamentais. A infra-estrutura dos prédios era precária, sendo que a palavra “sucateamento” com certeza não era um eufemismo para definir a situação. Em 2003, quando comecei a cursar o Mestrado, o presidente Lula mal havia assumido, mas logo foi possível perceber que algumas coisas estavam mudando: as bolsas de pesquisa e graduação, estagnadas há muito tempo, foram reajustadas, por exemplo. As transformações não foram todas imediatas, é claro, mas, posteriormente, muita coisa aconteceu: criação de universidades, ampliação de campi, concursos para docentes e servidores, recuperação dos salários… Realmente, para quem viveu aquela época, não há como fazer uma comparação que seja favorável a FHC. Não sou apenas eu quem está dizendo isto: diversos reitores de universidades federais, os quais seria lamentável rotular como “rebanho cego petista”, destacaram, em manifesto recentemente divulgado, os investimentos do governo Lula em educação. Esta leitura é especialmente importante para os mais jovens, na faixa dos 20 anos, que estão nas universidades e não têm a mínima ideia do que acontecia durante a “era FHC”. Se quiserem um outro relato sobre o assunto, não deixem de ler o que diz a Semiramis.

Atualmente, trabalho num órgão público federal, em cargo da minha área de formação, a antropologia. Por conta disso, tenho contato direto com povos indígenas e comunidades tradicionais. Trata-se, portanto, de populações cujos dilemas, demandas e necessidades acompanho diariamente. No caso dos indígenas, mesmo que a “era Lula” tenha trazido menos avanços do que se esperava, há que se destacar alguns pontos: a criação da Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, importante instância de participação das comunidades na formulação e monitoramento das políticas públicas a elas direcionadas, a realização de concursos públicos para oxigenar o limitado quadro de servidores da Funai, a reestruturação deste órgão indigenista (polêmica, porém necessária) e a demarcação, em área contínua, da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, ato que, por si só, possui considerável simbolismo.

A preocupação governamental em ampliar o escopo das comunidades tradicionais beneficiadas pelas políticas públicas expressou-se na edição do Decreto nº 6040/2007, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT) (mais detalhes aqui). No que se refere ao reconhecimento e titulação dos territórios das comunidades quilombolas, foi editado o Decreto nº 4887/2003, bastante avançado em relação à regulamentação do governo anterior, sobretudo por incorporar parte do conteúdo da Convenção 169 da OIT, assinada e ratificada pelo Brasil. Ocorre, basicamente, que agora a legislação incorpora, ao menos em parte, a discussão antropológica sobre o assunto: quando falamos de “comunidades quilombolas”, não estamos nos referindo apenas ao passado, sempre presente na memória coletiva compartilhada por estes grupos, geralmente ligada a algum tipo de ancestralidade negra. Estamos, também, nos referindo a um presente, onde estes sujeitos atualizam modos de viver específicos, capazes de garantir sua reprodução física e social. Daí a importância de valorizarmos a auto-atribuição de uma identidade étnica.

Contudo, apesar de não gostar de fazer escolhas com base em avaliações negativistas, assumo que, neste aspecto, um dos grandes motivos para votar em Dilma é a perspectiva do que poderia ocorrer caso José Serra vencesse as eleições. Muito significativa, neste sentido, é a postura do DEM, um de seus maiores aliados, partido que abarca as lideranças mais reacionárias da chamada “bancada ruralista”, dentre as quais está uma certa senadora tocantinense… Pois bem, a citada agremiação simplesmente ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) questionando o supracitado Decreto 4887/2003. Ocorre que os “demos” consideram que esta avançada legislação seria um “risco para a propriedade privada”. Percebamos, aqui, mais uma vez, a tentativa de impor os interesses dos grandes proprietários sobre comunidades que vivem há décadas em determinados territórios, sem que jamais tenham tido a possibilidade de obter a titulação dos mesmos, em virtude dos conhecidíssimos problemas fundiários que grassam nos rincões mais profundos de nosso país. Para saber mais detalhes sobre esta ADI e os inúmeros argumentos existentes para refutá-la, sugiro a leitura deste artigo e desta entrevista .

Outra questão que possui bastante relevância, para mim, é a preservação do meio-ambiente. Se é indiscutível que muito mais poderia ter sido feito, também o é a constatação de que houve muitos avanços, também nesta área. A este respeito, é paradigmática a análise de Idelber Avelar: “O ambientalismo e o segundo turno das eleições”.  Destaco, aqui, a observação de que “Não é segredo para ninguém que houve e há tensões no interior do governo, o que é perfeitamente natural num governo democrático de coalizão. Da mesma forma como há tensões entre o Ministério da Agricultura, mais alinhado com os interesses do agronegócio, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mais pautado pelos interesses dos trabalhadores rurais, também há tensões entre as áreas do governo responsáveis pela implementação de projetos, como a Casa Civil, e o Ministério do Meio Ambiente”. Se esta convivência entre interesses que se antagonizam é complexa e traz uma série de dificuldades, muitas das quais percebo em meu cotidiano de trabalho, quando vejo os territórios das populações tradicionais serem impactados por grandes empreendimentos, não há elementos para crer que os interesses do lado “fraco” estariam representados no governo Serra. Como já indiquei anteriormente, a cúpula do agronegócio brasileiro está ao lado do tucano, e os governos deste partido historicamente dão pouco ou nenhum espaço para os movimentos sociais e populares. Além disso, basta uma análise simples para verificar como as equipes técnicas de Incra, Ibama e ICMBio, órgãos relegados a um segundo plano durante a “era FHC” foram bastante reforçadas durante o governo Lula. Enquanto isso, senadores do PSDB e do DEM estavam entre aqueles que se posicionaram claramente contra operações como a Arco de Fogo, destinada a combater a exploração ilegal de madeira. Para quem tem dúvidas, a informação está no próprio site do partido: “Senadores exigem suspensão da Operação Arco de Fogo”. Seria este um dos motivos pelos quais Serra venceu o primeiro turno das eleições nos municípios campeões de desmatamento, justamente aqueles que compõem o tal “Arco de Fogo”?

Muito mais poderia ser dito em termos de comparações entre os governos de Lula e FHC, se formos adentrar em questões como crescimento econômico, geração de empregos, redução das desigualdades sociais, valorização e profissionalização do serviço público etc. Uma bela síntese (com referências, para quem prestar atenção) está nestes infográficos feitos pelo Ilustre Bob:

 

Entendo que minha opção pela candidata Dilma já está mais do que justificada, considerando o que foi exposto. Entretanto, a ofensiva conservadora que tomou conta do debate político neste segundo turno, colocando no centro da arena pública, com viés moralista e inquisidor, questões que deveriam se restringir à esfera das convicções e escolhas pessoais, como aborto e casamento ou união civil entre pessoas do mesmo sexo, fez com que desmoronasse grande parte do respeito que eu possuía pelo candidato José Serra e por sua trajetória. Se é lamentável que Dilma e o PT, encurralados, estejam fazendo concessões a alguns dos setores mais conservadores de nossa sociedade – muitos dos quais sonham em transformar o Brasil numa espécie de teocracia -, é inegável que esta guinada na campanha se deve à atuação dos apoiadores do candidato tucano, que fizeram acusações de todos os tipos na tentativa de garantir a realização desta segunda rodada das eleições presidenciais. Ressalto que não sou apenas eu quem diz isso: Fernando Barros e Silva, colunista da Folha de São Paulo, afirma claramente que “foi Serra quem arrastou esse cortejo do atraso para o centro da disputa política”. Se haveria alguma esperança de que Serra poderia romper com alguns dos velhos caciques que se tornaram “neo-lulistas” ao longo dos últimos anos, para mim esta se desfaz quando, no desespero para alcançar a vitória eleitoral, o PSDB se aproxima perigosamente de sujeitos ainda mais conservadores – até ex-integrantes da JUVENTUDE NAZISTA entraram na jogada!

Neste contexto, desrespeitando a própria biografia, Serra teria grandes dificuldades de construir seu governo sem dar espaço e garantias para estes sujeitos, que lhe deram sobrevida numa eleição que estava praticamente perdida.

Assim, por mais que eu entenda que nosso país ainda tem um longo caminho a percorrer em busca da efetiva justiça social, considero que muito foi feito nestes últimos anos, jamais me alinhando ao lado daqueles que acham tudo por aqui uma grande porcaria. Além disso, não tomar posição, neste momento, seria um desrespeito à minha própria trajetória, pois jamais devo esquecer que, mesmo tendo tantas ilusões desfeitas ao longo do caminho, um dia me inscrevi no vestibular para Ciências Sociais porque achava que, de alguma forma, poderia começar a transformar este país tão cheio de injustiças. Por tudo isso, e inclusive por por saber que o caminho para o Brasil dos meus sonhos começa por impedir o retorno de certos pesadelos, no próximo dia 31 de outubro votarei em Dilma Roussef, número 13.

Abraços,
Marcio Santos

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A hora e a vez de Celso Roth…

[Nota do editor: Para compensar a inatividade dos titulares deste blog, eis aí, às vésperas do JOGO DO ANO, mais uma colaboração de nosso amigo (apesar de gremista) Tom Madalena]

…se aproxima. Contratado pelo Inter para as semifinais da Libertadores da América, a impressão é que ele saiu do Grêmio ontem… na primeira fase de grupos da Libertadores 2009, para voltar agora, com tratamento vip na ante-sala da final de 2010. Sua contratação foi surpreendente. Não era um nome cogitado na imprensa. De certa forma, sua saída do Grêmio também foi uma surpresa. Afinal foi ele o responsável por montar um time vice-campeão do Brasil em 2008 (que só não ganhou o título, resguardado o mérito do São Paulo, por incompetência da direção, que manteve uma eleição no meio do campeonato e, sobretudo, precisando de um centroavante, trouxe Richard Morales que, aos 36 anos, estava se aposentando!) E saiu do Grêmio não porque perdia jogos na Libertadores e sim por causa de umas derrotas em Grenais, para um time que lhe era superior. Como continua sendo, diga-se a bem da verdade.

Então, chegou a hora e a vez de Celso Roth. A hora de sabermos se ele traz uma estrela escondida ou se é mesmo um azarado. A hipótese aqui é simples. Parte do pressuposto de que o Inter amassa o São Paulo e o Chivas ao Universidad do Chile.

Se tem estrela, ele ganha a Libertadores. Se é azarado, veremos o Internacional sendo o primeiro time da América a ir representar o continente no Mundial na condição de vice-campeão. Sim, pois no caso do Chivas campeão, ele leva o caneco, põe a faixa, mas não representa a América. Então vai o vice. Imaginem a cena final, Inter bi campeão do mundo e vice campeão da América. Algo surreal, mas que tem chances de acontecer. Se Celso Roth for azarado! Disso saberemos em breve.

Para terminar e não ficar em cima do muro… estou desconfiado de que (até para dar um tempero especial à rivalidade Grenal) o Inter vai ser bicampeão do mundo… e que os mexicanos vão tomar todas as Tequilas e quando acabar, bom eles vão começar a esvaziar as de Chivas 12 anos…

Torcer não é o caso, não é a palavra (só se aplica ao nosso time, no caso o Grêmio) mas espero que o Inter passe pelo São Paulo. E claro que em uma final contra a Inter de Milão também assisto o jogo com a expectativa que o da América vença. Por dois motivos, o primeiro a memória afetiva da minha mãe contente com o primeiro título brasileiro em 1975. Morávamos em São Paulo e a distância ajuda a ver a rivalidade de outra forma. Compartilhei da alegria dela. O segundo, é que do meu ponto de vista a rivalidade tem que servir para puxar para cima. O Grêmio que tome jeito e saiba montar times para ganhar títulos importantes.

P S. O leitor atento pode acusar o autor de falta de lógica. Afinal que azar é esse de se tornar bi-campeão do mundo? Vamos por partes. Primeiro, tratamos desse momento, a Libertadores. E claro que a sorte e o azar gostam de brincar com o tempo… É claro que no caso apresentado, um lance de azar se transforma em sorte mais à frente. Sorte do Internacional… e de Roth que, se estiver no comando, se revelará um azarado sortudo.

Antônio Madalena

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Melhor centroavante da Copa é uruguaio. Goleiro revelação também. E são o mesmo jogador!

[Note do editor]: No dia em que o Uruguai enfrentará a Holanda num jogo que esperamos seja tão épico como foi o confronto com Gana, publicamos uma colaboração do grande amigo Antônio Madalena, popularmente conhecido como Tom. Como o texto condiz perfeitamente com o espírito do Golpe de Cabeça, chegamos ao cúmulo de aceitar a colaboração de um gremista para um blog de colorados. Esperamos que nossos cinco leitores gostem!

Maneira correta de comemorar gols

Suárez, o centroavante uruguaio é disparado o melhor centroavante da Copa. Essa história de melhor é sempre discutível. Mas nesse caso os fatos ultrapassam toda possibilidade de discussão. E também aquela história de goleador da Copa não quer dizer nada. É só estatística.

Um centroavante deve fazer gols. Não se exige que seja sempre, a toda hora. Basta uma certa constância, a que se dá o nome de regularidade, e que esse padrão seja pontuado por gols importantes, decisivos. E Suárez fez gols decisivos, sobretudo o que levou nosso querido país vizinho das oitavas para as quartas.

Quartas de final contra o bom time de Gana, o que se esperava? Óbvio. Gols de Suárez. E é aí que Suárez se supera. Ele se revela o goleiro da Copa. Com duas rodadas antes da final. De forma decisiva e resoluta, como deve ser para um herói, nesses tempos de mais ou menos e muita enganação, Suarez defende duas vezes. Afinal, na primeira defesa, por um vício de centroavante, ele deu um chute na bola. Esqueceu que estava na sua área e que tinha um monte de ganenses loucos e sedentos para pegar a Jabulani de jeito. Pois um pegou e já contava com o gol quando Suárez, inabalável, resoluto, estende a mão e faz uma defesa sensacional, no alto, quase junto ao poste superior. Uma bola verdadeiramente difícil! Dificílima. A mais sensacional defesa da Copa, embora duvide que a FIFA vá colocá-la no filme oficial de 2010. O juiz, obediente às normas, expulsa Suarez, não permitindo que ele veja como testemunha plena o que acontece. É um Suárez ainda melancólico, caminhando para o vestiário, que ouve e vê pelo telão o que os deuses do futebol tinham reservado a ele.

E o que os Deuses do futebol (esses mesmos que fiéis à justiça mandaram o Brasil de volta para casa, para o bem do nosso futebol, diga-se) decretaram é que Suárez é o novo herói uruguaio. A merecer muitas homenagens, nome em escolas, estátuas ao lado de algumas do general Artigas… (Quem conhece o Uruguai sabe que nossos hermanos são dados a colocar o general e seu cavalo em quase que todas as praças. Bom, será divertido encontrar Suárez ao lado do general.)

Agora é torcer pela celeste. Torço muito pelo Uruguai. Bom, claro, depois de tudo isso, o leitor deve estar pensando que torço por vitórias espetaculares. Claro que não! Torço por pênaltis. Um zero a zero sofrido contra a Holanda está de bom tamanho. A Holanda pode até chutar umas bolas na trave. Mas, ao final da prorrogação, pênaltis. E aí, claro, Uruguai! Por favor, alguém lembre ao Loco Abreu para fazer diferente. E depois a Alemanha provavelmente. É até de lamentar, pois ninguém jogou futebol tão bonito nessa copa quanto eles… Mas fazer o quê… Com o Uruguai pela frente as coisas são diferentes… Ou, melhor dizendo, encardidas. As coisas são encardidas. Um 1×1 para dar alguma emoção aos 120 minutos regulamentares está de bom tamanho. Claro, a Alemanha saindo na frente logo de inácio, passando o jogo com mais duas, três chances de aumentar… essas coisas que tornam um bom jogo dramático. E aí, pelos trinta do segundo tempo, o empate em alguma bola chorada na área alemã. E vamos aos pênaltis para glória do Uruguai. Que assim seja, se os Deuses do futebol assim quiserem.

E, imaginem, o Uruguai voltando ao Brasil, depois de 50, como campeão do mundo!

Antônio Madalena
Amante do futebol arte, apesar de gremista!

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Muito mais que um jogo

Jugar a morir

A partida entre Uruguai e Gana, disputada neste sábado em Johannesburgo, entrará, sem qualquer sombra de dúvida, para a história das Copas do Mundo. Qualquer pessoa que tenha acompanhado ao menos os minutos finais do embate teve uma lição completa sobre as razões que fazem do futebol muito mais que um jogo. Os uruguaios, bicampeões do mundo, porém há anos enfrentando o ostracismo e a decadência, num certo sentido reflexo da estagnação econômica do país, contra a última seleção do continente africano ainda remanescente na competição. Atletas que, em sua maioria, não são protagonistas em seus clubes, apesar de há muito atuarem longe de seus países. Um confronto complicado, onde duas equipes conscientes de suas limitações as superam com garra e disposição comoventes. No primeiro tempo, o gol de Gana, num arremate longo de Muntari; no segundo, os uruguaios empatam com um tirambaço cheio de efeito de Forlán, somatório da qualidade do jogador com as loucuras da famigerada bola Jabulani. Um prorrogação onde o desgaste dos orientales aparentemente daria vantagem aos africanos, melhor preparados fisicamente. Todavia, quando se joga com o coração, todos os limites são superáveis: mais 30 minutos de um jogo parelho e combatido em todos os recantos do gramado. Aproxima-se o final do tempo extra e deixamos de presenciar uma partida de futebol, passando a assistir a história do esporte, bem em frente aos nossos olhos.

Falta duvidosa, nas proximidades da área uruguaia. Os ganenses jogam a pelota para o meio do tumulto, bate e rebate, o gol parece certo… Eis que Luis Suárez, jovem goleador celeste, num ato desesperado daqueles que sabem o significado da expressão jugar a morir, mete a mão na bola, tal qual um arqueiro, simplesmente porque não havia nada mais a fazer. A marcação do pênalti é corretíssima, assim como a expulsão. Trocou-se um gol pela esperança. Asamoah Gyan, o bom centroavante de Gana, possivelmente o melhor jogador africano na Copa 2010, tem a responsabilidade de marcar e colocar sua seleção nas semi-finais. Segundos intermináveis de tensão e silêncio. A bola explode na trave. Alguma das tantas câmeras espalhadas pelo estádio flagra Suárez, até poucos instantes cabisbaixo e desolado, vibrando como se houvesse marcado um gol. Sim, ele não marcou, mas deu à sua seleção, ao seu país, a oportunidade de continuar acreditando na classificação. Valeu a pena: na decisão por pênaltis, duas defesas do guarda-metas Muslera, sacramentadas pela absolutamente debochada “cavadinha” na cobrança do avante Loco Abreu, colocaram o Uruguai nas semifinais da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1970.

O Uruguai, um pequeno país quase do tamanho do vizinho estado brasileiro do Rio Grande do Sul, mas com um terço da população deste. São apenas 3,5 milhões de pessoas, e talvez um outro tanto destas espalhado mundo afora, pois a economia estagnada e a falta de perspectivas de trabalho levam os uruguaios a migrar para a Argentina, para a Austrália, para o Brasil, para os EUA, para a Europa,… Uma nação orgulhosa de suas tradições, porém constrangida por raramente poder se postar ao lado dos “grandes do mundo”, uma vez que suas glórias esportivas e sua pujança econômica ficaram num passado que se torna cada vez mais distante. Pois bem, o Uruguai está nas semi-finais da Copa do Mundo, enquanto gigantes cujas seleções são formadas por alguns dos mais badalados jogadores do planeta, como França, Itália e Brasil, estão de fora. Quando acontecem coisas assim, ainda por cima numa partida que lembraremos por décadas a fio, percebemos que estamos lidando com algo que transcende a esfera puramente esportiva. Em dias como este compreendo melhor os motivos que me levaram a ter uma paixão tão grande por este negócio, e lamento, bastante, por aqueles que, em sua ânsia de lutar contra os “ópios” que supostamente cegariam o “povo”, não conseguem enxergar a beleza e a poesia de momentos como este.

O esporte, em si, dá lições todos os dias. O futebol, paixão mundial, faz um pouco mais do que isso. Quem conhece o Uruguai, mesmo quem já viveu lá, mal consegue imaginar a alegria que povo daquele pequeno país localizado no sul da América do Sul está vivendo neste momeno.

Ser testestemunha de uma partida como esta não tem preço. O jogo, sem dúvida, deixa claro que, na vida, quando se quer um objetivo, é preciso acreditar até o fim na possibilidade de obter sucesso, por mais pequena e difícil que esta seja. A lição é nunca desistir, nem quando o placar é um a um e se tem um pênalti contra aos 18 minutos do segundo tempo da prorrogação…

Isso é a Copa do Mundo, meus amigos. Nada mais importa.

Abraços,
Marcio Santos

– com a colaboração de Daniel Machado

A foto acima foi retirada do site do jornal argentino La Nación

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Copa do Mundo: projeções, curiosidades, impressões e tudo mais

Amanhã e no sábado a 19ª Copado Mundo vai conhecer os seus quatro semifinalistas. A competição, que começou travada, está tendo grandes jogos e muitas emoções. Algumas surpresas e outras confirmações, como era de se esperar. O torneio, que acontece a cada quatro anos, não conta com elevadíssimo nível técnico, mas tampouco deixa a desejar.

Diferentemente do que pensam muitas pessoas, o futebol não é só apaixonante no Brasil e na América do Sul. A tristeza dos italianos com a campanha ridícula, o vexame dos franceses com o time desunido e  sem alma: estes sentimentos com certeza com certeza foram muito dolorosos para a população desses dois países. Até o povo dos Estados Unidos, que não têm no futebol seu esporte preferido, sofreu e sonhou com a sua seleção. Basta ver os índices recordes de audiência que os jogos equipe tiveram no país, superando até finais da NBA.

A Copa do Mundo da África do Sul é, também, a primeira a contar com transmissão de todos os jogos em canal aberto, em todo o território dos EUA. Conheço muitas pessoas que tratam o futebol e o esporte com desdém e, afirmo, sem medo de errar, que às vezes sinto pena delas, por não terem a oportunidade de apreciar uma partida como foi o confronto entre Alemanha e Inglaterra pelas oitavas-de-final da competição. O jogo teve lindos gols, falhas, erro clamoroso de arbitragem, emoção, olé, rivalidade e até lembranças as guerras mundiais, ou seja, foi uma partida carregada de história.

A alegria do povo sul-africano, também, não pode ser esquecida. Dentro das suas possibilidades, a população do país abraçou o torneio, os jogos e os torcedores dos outros países. Sem dúvida alguma, um espetáculo singular. Além disso, deixando um pouco de lado os gastos excessivos e o legado que o torneio vai deixar para o país, a copa serviu para unir, ainda mais, o povo do país, que foi massacrado por anos de segregação racial.

Meus palpites para as quartas-de-final, com cotação, são os seguintes:

Confrontos:

Brasil – 54%
Holanda – 46%

Uruguai – 55%
Gana – 45%

Alemanha – 55%
Argentina – 45%

Espanha – 65%
Paraguai – 35%

Ressalto, aqui, que estes palpites estão baseados no que os times apresentaram até agora, na minha torcida pessoal e na história de cada camiseta nas copas do mundo. Resumindo, são apenas palpites, com um embasamento no mínimo duvidoso.

Curiosidades

A Holanda foi a última seleção a fazer um gol de empate em copas do mundo contra o Brasil. Foi no 1 x 1 , nas semi-finais, em 1998. O gol foi um golpe de cabeça, anotado pelo centroavante Patrick Kluivert. Desde então, sempre que o Brasil sai ganhando vence e sequer leva o empate transitório.

O Brasil nunca sequer empatou com times africanos em copas do mundo. Então, se tiver semifinal contra Gana, aposte no Brasil sem qualquer receio.

A Alemanha, desde 1934, fica pelo menos entre os oito em copas do mundo.

A Alemanha jamais perdeu disputas de pênaltis em copas do mundo.

Nesta Copa, a Alemanha viu seu recorde de mais de 22 cobranças convertidas de pênaltis (contando desempates após a prorrogação) consecutivas ser quebrado. Lucas Podolski perdeu pênalti contra a Sérvia e este foi o primeiro desperdício da seleção alemã desde1986.

Com dois gols nesta copa e 12 no total, o alemão Miroslav Klose busca alcançar o recorde de 15 gols em copas do mundo do brasileiro Ronaldo. Para tanto, precisa manter a média obtida em 2002 e 2006, quando fez cinco gols em cada uma das edições.

Dos 12 gol do alemão Klose, sete foram de golpe de cabeça. Não encontrei registro oficial, mas acredito que ele tenha sido o jogador que mais marcou de cabeça em mundiais.

A Dinamarca nunca havia levado gol em cobrança direta de falta em copas do mundo. Nesta edição, contra o Japão, levou dois no mesmo jogo.

Mesmo invicto e classificado às quartas-de-final, o Paraguai ainda corre para quebrar a escrita de jamais ter vencido duas partidas seguidas em  Copa do Mundo. Como só passou pelo Japão nos pênaltis, quebrar esse tabu nesta edição exige chegar à final com duas vitórias. A outra possibilidade é derrotar a Espanha nos pênaltis e depois ganhar a semifinal e a final.

Mesmo contando com quatro bons avantes no elenco, nenhum dos três gols do Paraguai na competição até agora foram feitos por atacantes. Caso perca sem fazer gols para a Espanha, os atacantes vão ir embora zerados.

Pela primeira vez, a Copa tem mais sulamericanos (quatro) que europeus (três) entre os oito primeiros.

Como todos os sulamericanos estão em chaves diferentes, a Copa pode acabar com todos os países desse lado menos favorecido do mundo nas quatro primeiras posições.

Os dois gols da Grécia na vitória de virada contra a Nigéria foram os únicos marcados pelo campeão europeu de 2004 na história da Copa do Mundo.

O Uruguai não terminava a primeira fase em primeiro desde 1954.

A Holanda busca um recorde histórico nesta Copa do Mundo: igualar o Brasil de 1970 e conseguir vencer todas as partidas do torneio e das eliminatórias, em uma mesma edição.

A Nova Zelândia foi eliminada invicta da Copa do Mundo. Empatou as três partidas da primeira fase – 1 x 1 com a Eslováquia, 1 x 1 com a Itália e 0 x 0 com o Paraguai.

A Nova Zelândia levou a campo um jogador que não é totalmente profissional . Andy Barron trabalha em um banco no país e conseguiu licença para disputar a Copa.

Maradona e Dunga: um dentre eles pode se tornar campeão como jogador e técnico. O feito só foi alcançado pelo alemão Franz Beckembauer e pelo brasileiro Mário Jorge Lobo Zagalo.

O Uruguai tem uma vantagem histórica nesta sexta-feira. Jamais uma seleção africana chegou a uma semifinal de Copa do Mundo.

Até agora, nenhum camisa 5 marcou na Copa do Mundo.

Abraços,
Daniel Machado

Com a colaboração de Marcio Santos

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