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Toy Story 3: nostalgia e rito de passagem

No início da noite desta terça-feira tive a oportunidade de assistir Toy Story 3 juntamente com meu irmão, aqui em Porto Alegre, onde estou passando uns dias de férias em clima de Copa do Mundo, e posso dizer que fiquei absolutamente encantado pelo que vi.

Para algumas pessoas de olhares e mentalidades mais estreitas, pode parecer “apenas mais um filme para as crianças”. Entretanto, aqueles que já assistiram outras produções da Pixar, como WALL-E, Up, Procurando Nemo e Monstros S.A., sabem que os filmes deste estúdio tratam de temas caros a pessoas de todas as idades, com humor e sensibilidade ímpares. Tudo isso sem deixar de alegrar e divertir os pequenos, é claro.

Pois bem, aqueles que acompanharam as aventuras anteriores do cowboy Woody, do astronauta Buzz e de seus tantos amigos não precisam ter receio: o terceiro filme não só faz jus ao legado deixado pelos anteriores como, na minha humilde opinião, chega a superá-los. Toy Story 3 nos apresenta Andy, o dono dos brinquedos, com 17 anos, às vésperas de ir para a universidade, num momento em que precisa escolher o que levará junto, o que vai para o sótão e o que vai para o lixo. A partir desta premissa carregada de simbolismos, o enredo se desenvolve, entremeando situações engraçadas e momentos de ação com reflexões sobre as tantas transições de nossas vidas. Tudo isso sem ser pedante, cansativo ou até mesmo piegas. Se o grande mote de Toy Story 3 é o doloroso e simultaneamente delicioso rito de passagem que nos leva da infância para a vida adulta, tendo no meio a tal da adolescência, assuntos agridoces como amizade, companheirismo e saudades permeiam a narrativa, de uma forma nada colateral. Os mais atentos perceberão também que temas como hierarquias sociais e a tensão entre autoritarismo e busca por liberdade estão presentes, com a leveza que somente as “crianças grandes” da Pixar conseguem lhes dar.

Há cenas que para mim serão inesquecíveis, sendo especialmente digna de nota a sequência final, que definitivamente faz MUITO mais sentido para os adultos do que para as crianças – não quero dizer que elas também não se divertirão, que fique bem claro. Não tenho dúvidas de que o momento em que Andy se despede de seus companheiros de tantos anos trouxe um turbilhão de recordações para aqueles que estavam na sala junto conosco. Bastava olhar para os lados para ter certeza disso: quase todos foram às lágrimas, e arrisco-me a dizer que estas tiveram como causa uma mistura de alegria com nostalgia: todo mundo já foi criança um dia, todo mundo já soube, em maior ou menor grau, como é difícil deixar pessoas, coisas e situações para trás, por mais que isso seja tantas vezes necessário para seguir adiante. Considero, portanto, Toy Story 3 uma verdadeira obra-prima, a prova definitiva de que animações aparentemente infantis são capazes de nada dever em profundidade e beleza a obras interpretadas por atores de carne e osso. Se algum dos meus parcos leitores ainda tiver preconceitos contra este tipo de filme, acredito que é a oportunidade ideal para superá-los!

Para o infinito, e além!

Abraços,
Marcio Santos

P.S.: Preste bastante atenção no curta-metragem Dia & Noite, que antecede ao filme, nos cinemas: um libelo praticamente sem palavras contra preconceitos de todos os tipos!

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Parabéns, Donald

Ontem foi aniversário de um dos personagens mais famosos de Walt Disney. Pato Donald completou 75 anos de vida.

Temperamental, ele é um dos personagens mais populares dos estúdios Disney e conta com dezenas de histórias que levam a ininteligível ave com visual de marinheiro a viver sempre à beira de um ataque de nervos. Sua singularidade, marcada por uma voz compreensível apenas para o resto dos personagens da Disney, o levou a protagonizar seu primeiro curta-metragem de animação em 1937, intitulado Don Donald, momento no qual também foi apresentada ao público sua eterna namorada, Margarida – que à época ganhou o nome de Donna.

O sucesso de Donald foi tanto que, na década dos 40, o personagem já tinha sido protagonista de mais produções do que o próprio Mickey, símbolo das criações dos estúdios de Walt Disney.

 Em toda a sua trajetória, o pato assumiu 130 papéis protagonistas e dezenas de aparições em produções com o rato mais famoso do mundo e com outros personagens da Disney como Pluto e Pateta. Tal currículo garantiu a Donald uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e a marca de sua pata em cimento na entrada do famoso Teatro Chinês de Los Angeles, uma honra reservado a poucas figuras do cinema.

As produções estreladas pelo pato começaram a ultrapassar as fronteiras dos países de língua inglesa e se tornaram um fenômeno nos países latinos com Alô, Amigos (1942) e Você Já Foi à Bahia? (1944), duas produções que misturavam animação com atuações reais e que apresentou a Disney na América Latina. Nos dois filmes, que foram indicados ao Oscar, Donald aparece com o papagaio Zé Carioca.

A estatueta viria com a 2.ª Guerra Mundial em Der Fuehrer’s Face (‘A Face do Fuehrer’, em tradução livre), de 1942, onde Donald sonhava que vivia sob o regime nazista e finalmente acordava sob a Estátua da Liberdade, aliviado por ser americano.

Donald, em sonho, viveu sob o regime nazista

Donald, em sonho, viveu sob o regime nazista

A teimosia do personagem o levaria a viver situações que solucionaria na maior parte dos casos após usar seu lado mais impulsivo. Os estúdios Disney o definiram como um pato cuja segunda ou terceira intenção é boa, mas quando elas aparecem, ele já caminha na direção equivocada. Não importa quanta humilhação o mundo o submeta, Donald a receberá e voltará para mais. É um perdedor que não desiste.

Ele cairá lutando, afirma o portal da Disney. Produções como Donald’s Crime (‘O Crime de Donald’, em tradução livre), de 1945, destacam esse lado obscuro do pato, disposto a roubar as economias de seus sobrinhos para pagar um encontro com Margarida, apesar de a trama terminar com o arrependimento do ladrão. Donald ganharia uma história em quadrinhos própria ainda em 1938 e, mais adiante, justificaria o nascimento de outros personagens ligados a ele.  (Texto da EFE, acessado no site do Estadão)

Com essa mensagem, desejo um bom feriado a todos a partir de hoje.

Abraços,
Daniel Machado

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