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O gol que ganhei de aniversário

Antes de qualquer coisa, quero que todos saibam que a história que será relatada aqui é absolutamente verdadeira, sem nenhum acréscimo a título de “licença poética”. Pois bem, a última quarta-feira me reservou uma daquelas emoções que serve para reafirmar o futebol não apenas como o mais sensacional dos esportes, mas também como uma das maiores criações da humanidade. Exagerado, eu? Para alguns, talvez, mas creio que aqueles que realmente incorporam o espírito de torcedor sabem do que estou falando.

20 de maio, feriado na capital tocantinense. Um dia após meu aniversário oficial, junto alguns amigos para um churrasco, que se prolonga por boa parte da tarde. À noite, o tão esperado jogo de volta das quartas-de-final da Copa do Brasil, entre Inter e Flamengo. O local onde o assistiríamos não poderia ser outro que não a Adega do Cláudio, reduto de gaúchos e colorados aqui em Palmas. Não restavam dúvidas de que as dificuldades seriam grandes, apesar de alguns breves devaneios envolvendo goleadas históricas e acachapantes. Ainda assim, as coisas foram BEM piores do que podíamos imaginar! Os cariocas marcavam implacavelmente, enquanto o time colorado não atacava com todo o ímpeto que os 48 mil abnegados presentes no Beira-Rio e os outros tantos espalhados mundo afora esperavam. A bobeada de Juan e a impressionante velocidade de Nilmar e Taison garantiram nosso primeiro gol, mas a qualidade de Kléberson e Ibson encaminhou o empate rubro-negro, justamente no momento em que nosso time parecia mais próximo de ampliar o marcador. O tempo passava, o convívio com os flamenguistas que, por motivos desconhecidos, optaram por ver o jogo em nosso TERRITÓRIO se tornava quase insuportável. É complicado torcer para um time de fora do EIXO, morando na região norte do Brasil – o surgimento de “torcedores não-praticantes” destes times, nos momentos decisivos das competições, merece uma reflexão à parte, que ainda será feita. Seja como for, aos 43 minutos, Glaydson sofreu aquela falta, nas proximidades da grande área…

A partir daí, a noite tornou-se MÍTICA. Meu irmão Cristiano ligou, de dentro do caldeirão vermelho, cujo rugido podia ser ouvido sem parar na transmissão televisiva. Sem mais delongas, ele falou: “É agora, vai ser agora!”. Eu concordei, e ele pediu que eu não desligasse. Foram poucos segundos, mas pareciam horas. D’Alessandro ou Andrezinho, quem vai assumir a responsabilidade num momento desses? Então, o tempo parou. Pelo celular, escutei gritos de uma vibração enlouquecida. Um segundo depois, talvez dois, a imagem confirmou: a bola passou por cima da barreira e entrou, próxima ao canto direito da meta defendida por Bruno. Muita vibração, xingamentos e quase que chegamos às “vias de fato” com uns flamenguistas abusados que não aceitaram receber GOZAÇÕES. A classificação era nossa, com certeza. Após os minutos finais nos quais Guiñazu provou mais uma vez ser sobre-humano, eu e o Cristiano conseguimos nos falar de novo. “Tu é foda mesmo, seu profeta!”, eu gritei. Foi neste momento em que ele me lembrou da conversa que havíamos tido na véspera, quando ele ligou para me parabenizar pela chegada dos meus VINTE E TODOS: eu disse que o único presente que queria era a vitória contra o Flamengo, e se ele pudesse ajudar nisso, seria perfeito. Pois então, promessa feita, promessa cumprida: fiquem sabendo, todos os que aguentaram chegar até aqui, que o gol foi metade do Andrezinho, metade do Cristiano! Aquele tinha sido meu presente de aniversário, ora!

Está provada, mais uma vez, a conexão que só o Inter é capaz de me proporcionar, demonstrando que 3000km de distância não são absolutamente nada quando o assunto é a PAIXÃO COLORADA.

Abraços,
Marcio Santos

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