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Emoção sem fim

Mário Eliseu Kreuning (Alemão), 37 anos, colorado desde os tempos daquele distante vice-campeonato da Libertadores de 89, torcedor do Inter desde 86, passando esse tempo de 20 anos (1986 -2006) com pouca conquistas e muito sofrimento. Alemão viu “eles” serem campeões da Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e vários campeonatos gaúchos. Um sentimento de tristeza. Alemão não acreditava na conquista da América e muito menos do Mundo, mas sim numa Copa do Brasil e, quem sabe, talvez até um (im) possível Brasileiro.

Porém, alguns fatos mudaram a sua vida.

Campo Bom, RS, 17 de dezembro 2006. Durante todo aquele ano, Alemão acordava às 6 horas pra tomar chimarrão e levar a esposa Valéria ao serviço. No dia 17/12 acordou às 6 horas, mas as tarefas eram outras. Ele colocou o manto sagrado (camisa do Inter), ficou caminhando pela casa, tenso e nervoso.

Começou o jogo e não acreditava na vitória, passou três minutos e passou a acreditar e beber umas cevas. No intervalo, conta ele, foi ao mercado Tomé–Rede Forte e comprou mais cerveja, voltou pra casa. Iniciou o segundo tempo e foi ficando mais nervoso, xingando tudo, aos 30 minutos quando Abel tirou Fernandão e colocou Adriano Gabiru, descarregou sua raiva contra Abel, técnico do glorioso Inter. Mas Gabiru, aos 36 minutos, marcou o gol. A emoção veio com gritos, alegria e a lembrança dos quase 20 anos de tristeza que eram suplantadas naquele lance.

Alemão, sofrimento e alegria pelo Internacional

Alemão, sofrimento e alegria pelo Internacional

Pouco depois do gol, na falta do Ronaldinho, Elizeu dava como um pênalti. Com a cobrança da falta/pênalti pra fora, brilhava a conquista do mundo pelo glorioso S.C. INTERNACIONAL.

Como de cultura dos Gaúchos, sempre tem carreata, “buzinasso” e muita festa e mais cerveja. Às 22h30 veio o mais triste da história, o acidente de carro, depois de muita comemoração e festa. Elizeu, colorado fanático, acreditava que o dia 17 não tinha fim, pois a emoção era muito grande.

Emocionado e com todos os outros efeitos da festa daquele dia glorioso para todos nós colorados, ele teve num grave acidente, no qual bateu o carro em um muro (o carro não foi nem aproveitado depois). Foi inconsciente para o hospital e ali ficou desacordado por 16 dias. Após, foi para Porto Alegre e, no hospital Cristo Redentor, ficou 30 dias em período de cirurgia, pois teve fratura exposta na perna e quadril.

Depois de sair do hospital, amargou 365 dias sem caminhar. Hoje, pouco mais de dois anos da conquista do mundo, caminha de muleta e está na expectativa de obter uma prótese pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para voltar a caminhar “normalmente”.

Ele, que falou ao GOLPE DE CABEÇA em visita a Santo Ângelo, disse que foi uma conquista tão grandiosa do Inter, mas, lamentavelmente, não soube controlar as emoções de um colorado que sofreu muitas derrotas durante 20 anos da sua vida. Porém, ressaltou que teve o prazer de ver o S. C. INTERNACIONAL conquistar o mundo.

Palavras de um colorado fanático que não para de torcer pelo Internacional. Mesmo com o trágico acidente, ele não culpa o clube e diz que o erro foi, exclusivamente, dele.

Sempre Inter, Inter para sempre!

Abraços, Anderson Fonseca

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